Três argumentos a favor do Google Plus

Coloquei isto no Facebook (ironia das ironias) mas achei que era mais fixe reunir tudo num post só e colocá-lo aqui. Porquê? Porque o Facebook não permite a pesquisa de conteúdo, e isso significa que em breve desaparecerão. E tenho interesse, daqui por um ano ou dois, olhar para este artigo e rir-me imenso com as previsões idiotas que fiz.

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As consequências do Stallmanismo radical

O modelo da distribuição de música e de vídeo/cinema está em colapso. Penso que não é preciso vir com muitas estatísticas nem com grandes filosofias para chegar a essa conclusão. Cada ano que passa, e apesar de serem lançados mais álbuns e mais DVDs, o número de vendas global em lojas tem diminuído. Durante alguns anos, a resposta das labels era aumentar os preços para compensar a falta de vendas; mas essa estratégia só piorou a situação, e actualmente os preços têm baixado, e muito.

Porquê? A razão é tremendamente simples. Nos anos 80, quando o formato CD foi lançado, começando aos poucos a substituir o vinil (e a velha cassete), este revelou-se demasiado simples de copiar: qualquer puto de 6 anos com um computador consegue extrair as músicas à vontade. O DVD resistiu um pouco mais de tempo, até os computadores se tornarem suficientemente rápidos para facilmente quebrarem as chaves de encriptação do formato com que eram codificados. Essa é uma evolução natural das coisas: não há formato digital que não possa, mais cedo ou mais tarde, ser descriptado — é uma questão de tempo. A chave super-segura de hoje é facilmente quebrada por computadores exponencialmente mais rápidos de amanhã (ou um grande número deles a trabalhar em conjunto, como é o caso da utilização da Internet para esse fim).

Com a disponibilização de produtos culturais e artísticos em formato digital que podem ser reproduzidos em computador, acabou-se finalmente uma antiga premissa, sob a qual assentava a legislação de protecção de direitos de autor: a noção de que o investimento na reprodução de uma obra era cara e necessitava de um enorme investmento. Hoje em dia, o “investimento” custa algumas poucas centenas de Euros, se tanto — e com isso pode-se copiar e distribuir tudo.

Não há sistemas de cópia seguros. A noção de “buraco analógico” (analogue hole) é uma premissa incontornável — um facto inegável: qualquer coisa que passe por um computador pode ser copiável. Pode-se fazer a cópia mais ou menos difícil (por exemplo, utilizando chips de encriptação em hardware, como existem em alguns dispositivos), mas “difícil” apenas significa “mais tempo e mais trabalho” — até a primeira pessoa encontrar uma maneira de subverter o sistema. Depois essa pessoa pode simplesmente distribuir cópias à vontade, e é impossível de prevenir esse sistema. Continuar a ler

Contactless fraud

Um conhecido meu que vive numa cidade menor do Reino Unido outro dia estava a falar-me de como ia tirar um bilhete de autocarro e metê-lo no smartphone. Na altura fiquei pasmado com a aparente sofisticação tecnológica das pequenas cidades inglesas, mas depois percebi melhor o que é que ele queria dizer — era, afinal de contas, a mesma tecnologia usada também no sistema de transportes públicos que existe (pelo menos) na região de Lisboa (no Porto existe um sistema um pouco mais sofisticado) — NFC (Near-Field Communication).

Ora o que ele me disse e que eu não sabia é que certos smartphones incluem um chip NFC compatível com várias tecnologias contactless. Os bilhetes de autocarro, metro e combóio são, em geral, passivos: não têm bateria, e os chips são «iluminados» pelo emissor (o ponto de validação), que retiram assim a pouca energia que necessitam para poderem ser activados e o seu código lido (no fundo, numa operação semelhante ao que acontece com o RFID, embora as distâncias sejam muito mais curtas, e pressuponho que por causa disso os chips sejam ainda mais baratos). Mas no caso dos smartphones, estes, pelo menos enquanto a bateria do telemóvel estiver a funcionar, são activos. Ou seja, podem ler outros cartões com chips NFC. Ou seja… com a aplicação apropriada, podem copiar a informação contida neles.

Qual o interesse disto? Bem, o meu conhecido estava sempre a perder o passe dele. Por isso o que ele faz agora é, sempre que revalida o passe, copia-o para o telemóvel. Depois basta seleccionar o bilhete que quer antes de saltar para o autocarro ou combóio. Como o telemóvel é alimentado por bateria, o alcance é mais longe, e nem sequer o precisa de aproximar muito do ponto de validação. Se por acaso o telemóvel ficar sem carga — acontece! — então o chip passa de activo para passivo, fica com a última sequência de dados, mas continua a funcionar; não dá é para mudar (se ficou com o bilhete de combóio activo, pronto, só dá para andar de combóio).

Ora este tipo de utilização tem pelos vistos muitos fãs, especialmente em sistemas de pagamento (parece que é frequente, no Japão, que o «bilhete» de combóio também funcione como meio de pagamento válido nos quiosques das estações). Tanto é assim que a própria Apple chegou a pensar nisso para o iPhone 5; integrado com o iTunes, App Store, iBooks, o iPhone beneficiaria de uma rede já existente de fornecedores aptos a tirarem partido do chip NFC (mas aparentemente os fãs da Apple terão de esperar pelo iPhone 6…). Em compensação, no mundo Android (e Nokia…), o chip NFC é muito popular. Mesmo que não dê ainda para pagar grande coisa por cá, pelo menos existe a utilização para os transportes públicos… se se usar o «truque» deste meu conhecido.

A minha mulher, no entanto, suspeita que o civismo e a candura britânicos, onde as pessoas legitimamente «instalam» os seus diversos tipos de bilhetes de transporte público na comodidade do seu telemóvel, será facilmente explorado pela mente perversa e criminosa dos portugueses 🙂 Uma coisa são os títulos pré-carregados que têm um limite de utilização. Mas a outra são os passes sociais, que, durante um mês, permitem viagens ilimitadas. Ora isto permite a um grupo de espertalhuços comprarem apenas um passe social e depois partilharem os respectivos códigos entre amigos; ao fim de uns meses, isto paga a todos os custos de investimento num telemóvel Samsung relativamente barato que tenha um chip NFC 🙂 Aliás, se calhar, neste momento já existe aí algures um site na ‘net qualquer onde se possa fazer download dos identificadores de passes sociais…

Pois, isto da tecnologia é divertido, e muito útil em países com elevado grau de civismo e responsabilidade pessoal 🙂 Mas por cá presumo que seria imediatemente convertido em pirataria da grossa.

Se é que já não é.

Política académica…

Como alguns de vocês sabem, recentemente tenho estado a voltar a estudar (sou burro, por isso achei que devia estudar mais…), e apesar de ter passado os últimos cinco anos a fazer uma série de projectos para universidades portuguesas e estrangeiras, não tinha (ainda) muita sensibilidade para o trabalho académico. Uma coisa com que se entra pouco em contacto durante a licenciatura (pelo menos foi o meu caso) é o código de conduta ética dos investigadores científicos.

Seja em que ramo do conhecimento for, é natural que os trabalhos se baseiem uns nos outros — é assim que a ciência avança! — seja refutando trabalhos anteriores, seja aproveitando as linhas de investigação desenvolvidas e apresentando uma nova visão. Neste processo é crucial garantir que seja dado crédito a quem o merece; tudo o resto é considerado plágio, e fortemente penalizado por toda a comunidade científica, sempre que alguém se apropria indevidamente de trabalho de terceiros sem lhes dar o devido crédito. Se se tratou de um lapso honesto — é publicado tanta coisa, que nem sempre é fácil de estar a par de tudo — pede-se desculpa formal, publicamente, e apresenta-se os novos créditos e referências a investigadores que já tinham trabalhado na área. Se foi uma apropriação indevida, há um ostracismo por parte da comunidade, declarando determinado investigador como sendo pouco honesto intelectualmente, e não sendo digno de ser citado ou reconhecido. Este mecanismo estranhamente funciona…

Muito do trabalho de análise das equipas que fazem a revisão científica de artigos de revistas ou de conferências gira em torno de descobrir se houve plágio ou aproveitamento indevido, e se sim, se foi deliberado ou não. No fundo, é fácil — se quem faz a revisão descobre que afinal de contas o artigo contém material de outro investigador, o autor é informado. Se for honesto, vai simplesmente agradecer a quem faz a revisão, ler o trabalho do colega, e dar-lhe o devido crédito. Se não for honesto, pura e simplesmente não é publicado. Como a atribuição de verbas e a progressão na carreira depende do nível de publicações, a maioria dos cientistas tenta manter-se o mais honesto que consegue, por interesse pessoal.

Não é “vergonha” nenhuma citar colegas e dar-lhes crédito. Não torna o trabalho “menos importante” ou “menos sigificativo” apenas porque se usam referências de terceiros que trabalharam na mesma área. Pelo contrário, há um reconhecimento de que o investigador fez um bom trabalho, leu o que devia ler sobre o assunto, e mostrou-se consciente do trabalho que tem sido desenvolvido pelos colegas, fazendo-lhes referência. É isso que se espera que aconteça.

Fora do mundo académico, não é assim. Como a esmagadora maioria dos trabalhos académicos é publicado livremente — com o entendimento de que quem usar esses trabalhos lhes deve fazer referência — é muito simples para a indústria pegar nesses trabalhos e apropriarem-se deles sem mais problemas. A indústria não está “comprometida” com este código de conduta ético, pois não necessita de se preocupar que a atribuição de verbas seja indexada à integridade ética, mas sim apenas à sua capacidade de vender ideias, produtos e serviços. Se há apropriamento indevido de material de terceiros, cabe a estes o recurso aos tribunais. São modelos diferentes de funcionamento.

Para mim isto é todo um mundo relativamente novo, e confesso a minha inocência ao aperceber-me que estes casos são mais frequentes do que pensava. Dentro do meio científico, como há uma pressão (financeira…) para os investigadores se manterem honestos, estes geralmente cumprem os códigos de conduta. Fora do meio científico, pensava que as pessoas não ligassem lá muito ao que os investigadores andam a fazer. Foram sempre para mim mundos mais ou menos distintos.

Nada como sentir na pele como é que as coisas realmente são para ficar mais sensibilizado a estes problemas 🙂

Em 2005, a minha pico-empresa de desenvolvimento de conteúdos 3D em Second Life foi abordada por uma investigadora que precisava de um modelo 3D do edifício da Ópera de Lisboa, construído em Abril de 1755 e arruinado pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. Sabíamos de antemão de que não iria haver financiamento para este trabalho, pelo que o oferecemos generosamente, na expectativa de no futuro eventualmente fazer mais coisas na área da arqueologia virtual, e acrescentar algo mais ao portfolio. O projecto foi muito bem recebido, e pouco tempo depois, tornou-se mais ousado: na área da arqueologia virtual, está fora de moda apresentar objectos arquitectónicos fora de contexto, mas a modelação 3D tradicionalmente foca-se nos elementos isolados. Criou-se então um novo projecto para recriar a totalidade da Lisboa barroca destruída em 1755, com financiamento praticamente nulo, mas constantemente à procura do mesmo, seja por entidades públicas, seja por entidades privadas.

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Esoterica: 2000

Corria o mês de Fevereiro de 2000.

O segundo maior fornecedor de acesso à Internet, que julgo que na altura tinha uns 20 mil clientes (seria pouco mais do que isso!) estava para mudar de instalações. Na altura, achei que seria curioso preservar imagens daquilo a que carinhosamente chamávamos data centre antes de fazermos a mudança. A minha ideia era que fartar-me-ia de rir ao ver isto de novo, dez anos mais tarde.

Por mera coincidência, tinha perdido a cassete MiniDV onde tinha feito este filme. Tenho umas dúzias delas em casa, muitas sem qualquer nome o indicação. Outro dia estava a gravar umas coisitas e reparei que afinal de contas esta tinha já qualquer coisa gravada. Antes de a desgravar (que é o que normalmente faço) resolvi dar uma olhadela ao que era. E não é que reconheci imediatamente um vídeo quase com uma década, do qual já me tinha esquecido quase por completo? 🙂

É certo que durante muitos anos estive sujeito a um NDA em que não podia revelar os “terríveis segredos” que possuia para desenhar, de raíz, um fornecedor de acesso à Internet. Bem, eis os segredos revelados 🙂 Tenho a certeza absoluta que ninguém, no seu perfeito juízo, alguma vez lhe passaria pela cabeça “copiar” este modelo…

E este data centre nem foi dos piores na história da Esoterica! O anterior era ainda mais ridículo. Bastidores? Hah! Isso é coisa de gente rica. A malta não tinha um tostão furado! (Alguns de nós, tipo eu, continuam sem um tostão furado) Mas o primeiro data centre de todos era de longe o mais fixe: um PC (depois dois) por baixo da mesa de trabalho da casa do Mário Valente. E chegou a atingir o milhar de utilizadores…

Mas o pessoal era muito, muito pobrezinho. Babávamo-nos com as histórias da nossa concorrência (a maior parte dos quais sem tantos clientes como nós) que tinham orçamentos para a infrastrutura que eram dez vezes superiores aos nossos, e mesmo assim tinham menos clientes pagantes!

A ironia deste filme nem é devido ao péssimo grau de desarrumação. Na altura pensava que nunca na vida tinha trabalhado num local tão desarrumado (mas em 2005 ainda consegui estar num sítio bem pior!). A ironia é mesmo pensar que estes equipamentos todos, embora tivessem um aspecto muito semelhante aos de hoje (qualquer pessoa reconhece os PCs, as disk towers, as Sun Enterprises, os routers Cisco… ainda têm o mesmo aspecto, formato, e até cores de hoje em dia), e apesar de eu comentar que “alguns destes servidores são ainda 486… o do meio é mais moderno, é já um Pentium” (mesmo na altura isto já era obsoleto), a verdade é que, hoje em dia, graças à Lei de Moore, tenho, nos meus três computadores de casa, e no ADSL CLix a que estou ligado, a mesma capacidade de computação e largura de banda que a Esoterica tinha no início deste milénio. E brinco que daqui a 5 anos terei o mesmo no meu iPhone (já a largura de banda, por exemplo, é a mesma… só falta a capacidade de computação). Com a introdução da fibra a 100 Mbps na casa das pessoas, que alguns de vocês, ilustres privilegiados, já terão, podem pensar que, no ano 2000, vão ter em casa cerca do dobro da banda que toda a Internet portuguesa dispunha em 2000 — e já nessa altura seriam, na boa, mais de uma centena de milhar de pessoas!

É isto que é mais fascinante. Este vídeo era para deixar o legado aos meus netinhos. Para eles um dia, em 2069, quando eu fizer um século de existência, eles perguntarem-me: “avô, era mesmo verdade que na altura os ISPs tinham um milionésimo da largura de banda que temos em casa?”

Shift happens.

Presidência Portuguesa no Second Life®

10Junho2009_BannerSLJá não é novidade para quem tenha estado a seguir as notícias na RTP, Público, SolDiário Economico, MSN News, I-GOV, I Online… e mais umas dezenas de milhares de blogs espalhados por essa comunidade portuguesa que abarca os cinco continentes:

A Presidência da República Portuguesa abriu oficialmente a sua primeira presença no Second Life®; a honra coube ao Museu da Presidência, que tem agora o seu próprio espaço para conferências, formação à distância, exibições (permanentes e temporárias), mas igualmente para apoiar a cultura e arte — como por exemplo o concerto ao vivo do Rodrigo Leão, passado ontem à tarde em simultâneo na vida real, no Convento de Santa Clara, e no Second Life. A direcção do projecto e a sua concepção e produção esteve a cargo da CCV em parceria com o Museu da Presidência.

O vídeo acima é do melhor que se faz neste tipo de produção digital (“machinima”), onde a totalidade da imagem é inteiramente obtida a partir de captura de vídeo directa do Second Life. Não há pós-produção e “digital enhancement”. Estas são as imagens reais que se obtêm — com um computador suficientemente poderoso, claro está 🙂 o que não é o caso de nenhum dos meus…

Mas há mais…

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alt.prt.sc faz entrevista na Beta Technologies

Um bocadinho de auto-promoção, que não faz mal a ninguém, e segundo as minhas pesquisas no Google, esta é a primeira notícia em seis meses sobre a Beta Technologies e sobre o Second Life, que deve ser a entidade a que pertenci que tem o pior marketing e comunicação de sempre 🙂 Mas… vamos mudar isso 🙂

Obrigado ao pessoal do alt.prt.sc pela pachorra em aturarem-me 🙂