Ortografia por computador

Na passada semana, uma série de meios da comunicação social andaram a divulgar que o (Des)Acordo Ortográfico de 1990 tinha entrado em vigor dia 13 de Maio de 2015, e que, por causa disso, agora passava a ser «proibido» escrever com o acordo «antigo».

Apesar dessa interpretação da data de entrada em vigor do acordo ser incorrecta, a questão principal que coloco não é essa. Nem sequer vou debater, como já fiz, os problemas deste alegado «acordo» de 1990.

A minha questão é mais pragmática: qual acordo é que foi, afinal de contas, aprovado?

Não estou a falar do ponto de vista filosófico, nem do ponto de vista jurídico. O meu problema é outro. Actualmente, ninguém sabe escrever de acordo com o acordo (passe a redundância). Há umas poucas de criancinhas que têm sido martirizadas nos últimos seis anos com o AO90, e que provavelmente conseguirão acertar numas tantas palavras ao calhas, mas a esmagadora maioria (basta ver as notas que têm tido a português) não.

Como é que se escreve, pois, em português do AO90?

Muito simples. Descarrega-se esta ferramenta gratuita, chamada Lince, e atira-se para lá dentro um documento escrito em português correcto. O Lince magicamente transforma-o em lincês — uma língua artificial, vagamente semelhante ao português, e que resulta da interpretação que os programadores do Lince fizeram das regras que estão no AO90.

Por exemplo, tudo aquilo que o AO90 diz ser «facultativo» foi interpretado como sendo «obrigatório». Mas há mais.

A utilização do Lince, essa sim, é «obrigatória» para toda a gente que trabalhe para um organismo do Estado ou uma empresa de comunicação social ou editora que tenha aderido ao que pensam ser o AO90. Ou seja: quem não saiba escrever português de acordo com o AO90, usa o Lince. Não há desculpas para não se escrever segundo o AO90.

É o Lince que manda!

Ora isto é um problema complicado. É que o Lince é fruto de um grupo de programadores esforçados e provavelmente mal pagos. Programadores esses que decerto percebem imenso de linguagens de programação, mas que podem não ser propriamente peritos em português. Basta ver que o Lince vai na versão… 1.2.12. Quer isto dizer que fizeram uma data de tentativas e modificações ao programa. E é possível que façam ainda mais.

Sempre que lançam uma versão nova do Lince… mudam a ortografia do português!

E já o fizeram pelo menos umas 12 vezes desde 2009!

Significa isto que daqui por uns tempos, à medida que mais e mais portugueses usarem o Lince para comunicar entre si na língua de Camões (que já pouco ou nada tem a ver com Camões), vão ter de meter, no final das suas mensagens, «Esta mensagem foi escrita de acordo com a versão 3.9 do Lince». Pois o receptor da mensagem, se tiver a versão 2.8 ou 4.5, poderá não a conseguir compreender. Possivelmente, futuras versões do Lince serão como o Microsoft Word, que lê ficheiros do Word 97 até às versões contemporâneas, e converte-as entre si. O Lince provavelmente passará a ter uma janela de aviso dizendo: «Atênssãum! Detétámux k xtá a têntar ler 1 mensajem xkrita kom 1 versãum ânteriôr du Linss. Ker fazer 1 update?»

Ou terá uma dropdown para que uma pessoa possa escolher para qual das várias versões do AO90 quer converter as suas mensagens. Terá um painel de selecção com muitas checkboxes onde se poderão ver opções como «tornar todas as opções facultativas do AO90 obrigatórias? S/N». Um dia haverão mesmo cursos superiores para ensinar a configurar o Lince para que este produza documentos no português à nossa escolha.

Ora isto parece uma crítica ao pessoal esforçado que programou o Lince, mas não é. Como disse, provavelmente tratou-se de uma equipa pequena no ILTEC, mal paga, a trabalhar 80 horas por semana, em ambientes desagradáveis (com linguistas aos berros a cada instante) e cheios de stress. Por isso tiro o meu chapéu a quem nos deu esta ferramenta gratuita. Eles, coitados, não têm qualquer culpa.

Foi quem tomou a decisão, embora justificada, de substituir o ensino da língua portuguesa por um programa de computador que está a perverter todo o sistema.

Pense-se um bocadinho no que isto implica.

Estamos a falar da língua portuguesa, ora porra. Uma língua cuja divergência do galaico-português era já utilizada por Afonso Henriques, deliberadamente, por uma questão política, para se distanciar dos seus vizinhos e afirmar a sua identidade com independência. E é evidente que Afonso Henriques cometia barbaridades na ortografia e nem era muito consistente. Mas ele achou por bem em começar um novo país com uma nova língua. Não perguntou a opinião a ninguém.

O mesmo se passa com quem lidera a equipa de revisões sucessivas do Lince. À medida que são corrigidos bugs no software, e que vão sendo descobertas novas formas de interpretar o Acordo Ortográfico de 1990 (sim, porque este é deliberadamente vago e ambíguo em muitos casos, onde a grafia é facultativa), esta equipa decide, unilateralmente, a forma como se escreve o português. E o português de 2015 pode não ser o mesmo do de 2016 ou de 2017. Haverão sempre formas diferentes de escrever as coisas. Haverão sempre maneiras de mudar ligeiramente os algoritmos embebidos no Lince, para que este seja mais eficiente, ocupe menos memória, seja mais rápido, ou crashe menos. Sempre que se fazem essas modificações, vai haver uma versão nova do português.

Isto evidentemente que é um negócio fabuloso para a indústria dos livros escolares. Graças ao Lince, podem todos os anos forçar as escolas a mudar de livros e de manuais. Podem sempre alegar que haviam problemas na versão do Lince do ano anterior, mas que felizmente foram corrigidas na última edição, pelo que os pais podem ficar tranquilizados que «este ano é que está tudo bem». Para no ano seguinte voltarem a corrigir o Lince e voltarem a lançar uma edição nova…

Mas ainda podemos ir mais longe. Este foi, efectivamente, o último Acordo Ortográfico que necessitou de uma ratificação política. No futuro não vai ser preciso qualquer novo acordo, qualquer debate, ou qualquer discussão mais ou menos acesa em torno do assunto. Basta fazer um upgrade ao Lince. De forma silenciosa, mas perniciosa, de um dia para o outro, em todos os países de língua portuguesa, o Lince passará a escrever lincês de uma forma ligeiramente diferente. Alguém mais atento poderá reparar, por exemplo, que as cedilhas foram substituídas por dois SS em todas as palavras. Mas como por essa altura já estaremos tão habituados a escrever português com o Lince, nem sequer iremos notar grande diferença.

É que depois os correctores ortográficos de português em todo o software do mundo vão igualmente mudar, automaticamente, sempre que o Lince mudar a ortografia do português. Um dia apenas clicamos no Windows Update, e zás, lá vem a versão do lincês 4.2.39, já incorporada no Word e no navegador da Web. No meio de tantos updates, mais um ou menos um passará completamente despercebido.

Os anglo-saxónicos têm uma descrição para este fenómeno, code is law, nome também do livro do famoso pioneiro das leis no ciberespaço, Lawrence Lessig. Lessig explica como, de forma subreptícia, mas em cada vez mais áreas da sociedade, é a forma como os algoritmos estão implementados no código do software que usamos que estão a «impôr» as leis. Já não são os reguladores ou os legisladores que o fazem. São os programadores.

E enquanto que ainda podemos eleger os nossos políticos que fazem as leis, não temos capacidade para eleger os programadores que definem quais as regras que impôem à sociedade. Pelo menos não temos uma forma directa. Perde-se assim o controlo democrático sobre certos aspectos da sociedade.

Imaginemos o seguinte cenário, que é tudo menos utópico. Um recém-licenciado de comunicação social acaba de escrever uma tese sobre o Acordo Ortográfico de 1990 e considera-se, pois, um especialista no assunto. É contratado justamente para um órgão de comunicação social pelos seus conhecimentos. Mas por decisão da direcção, na realidade todos os jornalistas usam o Lince para garantir que escrevem português da mesma maneira (pois o AO90 permite que cada pessoa escreva imensas palavras como lhe apetecer) para haver consistência. Nisto, o nosso jovem recém-licenciado, ao ler alguns dos textos produzidos pelo Lince, repara que este está a cometer vários erros de grafia, de forma sistemática. Aponta a falha do software ao redactor-chefe.

Qual será a reacção? O redactor-chefe até pode acreditar no jovem. Até pode saber que este fez uma tese sobre o AO90 e que provavelmente perceberá muito mais do assunto do que qualquer outra pessoa na redacção. Mas todos os colegas só sabem escrever português correctamente. Precisam do Lince para lhes dizer como é que agora se escrevem as palavras. Abolir o Lince da redacção é impensável. Mesmo que hajam já jornalistas a escrever português mais ou menos de acordo com o AO90, a revisão final é feita sempre com o Lince, não vá escapar alguma gralha, o que seria vergonhoso num grande órgão de comunicação social. É que, graças ao Lince, qualquer pessoa pode pegar nos textos produzidos pelos jornalistas e verificar se estes estão de acordo com o que pensam ser o AO90 ou não. Se não estiverem, será a chacota geral.

Assim, muito pragmaticamente, o redactor-chefe vai dizer ao jovem recém-licenciado que se está nas tintas para o AO90. Quer lá saber se o Lince escreve bem ou se escreve mal. O que lhe interessa é que toda a gente escreva da mesma maneira. E isso só é possível graças ao Lince, porque o Lince é um programa de computador que não se engana, que aplica todos os algoritmos sempre da mesma forma, e que escreve lincês fluentemente, sem gralhas, sempre de forma consistente. Se for um ser humano a tomar a decisão do que é que é permitido pelo AO90 e o que é proibido, temos um problema: os seres humanos são falíveis, cometem erros, podem estar distraídos, podem ter um dia uma opinião e no outro dia mudar de opinião.

O Lince não. Está sempre a produzir lincês de forma correcta. Mesmo que receba um upgrade, daí em diante, o lincês vai ser sempre o mesmo.

Se um dia um grupo de decisores políticos ou auto-nomeados «eruditos» da língua portuguesa (ou do que restar dela…) achar por bem instruir os programadores do Lince para mudar completamente as regras da ortografia, de um dia para o outro, os duzentos e cinquenta milhões de falantes de português em todo o mundo começarão a escrever de uma forma diferente. E provavelmente nem se aperceberão da diferença. Especialmente se a diferença não for muito grande…

É um poder imenso!

É disto que Lessig fala quando aponta para a problemática de colocar o poder de decisão sobre as regras a seguir nas mãos de programadores. É que deixa de haver debate, deixa de haver discussão, deixa de haver forma de protestar. O Lince é irreversível: não podemos viver sem ele, pelo menos durante uma década ou duas, até que existam pessoas suficientes a saber escrever português de acordo com o AO90.

Mas haverão mesmo?

Seis anos é pouco tempo para fazer uma observação cuidada, mas o certo é que passei a ler mensagens de pessoas cuja erudição admirava que são uma enorme trapalhada ortográfica. Nalguns casos, usam a grafia antiga. Noutros, usam uma grafia nova que é facultativa no AO90 mas não obrigatória. Noutros, metem umas palavras à mistura que são claramente obrigatórias segundo o AO90. Por vezes vejo que a grafia é surpreendentemente consistente: admitem, depois, envergonhados, que usaram o Lince para lhes corrigir os textos.

Mas para os miúdos ainda é pior. Com as sucessivas versões do Lince, é possível que num ano «desaprendam» o que aprenderam no ano anterior. Este é o caso limite, claro. Na prática talvez não hajam muitas diferenças de ano para ano. Mas as que houverem podem de facto ser cruciais depois quando chega a altura dos exames.

Vou dar um exemplo concreto. Ao contrário do que muita gente julga, pode-se continuar a escrever factoaspectorecepção. A supressão do C ou P, nestes casos, é sempre facultativa (Base 4, Artigo 1, alínea c). No entanto, o Lince ainda «respeita» a utilização de facto mas já «traduz» aspecto para aspetorecepção para receção.

Ora imagine-se que esta regra facultativa é apresentada às criancinhas num ano, mas que no ano seguinte passe a ser obrigatória. Quem use o Lince, nem sequer se apercebe da diferença. As criancinhas, contudo, ficam confusas: passaram o liceu a aprender uma regra facultativa e depois chegam aos exames em que esta regra passou a ser obrigatória. E chumbam. E saiem para a universidade e para o mercado de trabalho cheios de dúvidas sobre quais das regras é que são facultativas e quais não são.

Que fazem? Simples. Usam o Lince, como toda a gente.

Resultado: daqui por uma geração, na realidade ninguém saberá escrever português. Mas isso será irrelevante, pois todos usaremos o Lince (ou os seus sucessores) para escrever lincês. O lincês, essa língua artificial desenvolvida por programadores que interpretaram o Acordo Ortográfico à sua maneira, sem qualquer supervisão do público, sem mandato da Assembleia da República, sem o consenso de nenhum grupo, passa a ser a língua oficial dos países de língua portuguesa.

É claro que eu sei que não existirá «apenas» o Lince — no futuro haverá muito software para corrigir o português, e será desenvolvido independentemente, por muitos grupos diferentes. Mas é irrelevante. A primeira coisa que uma empresa vai fazer quando desenvolver o seu corrector ortográfico é compará-lo com a última versão do Lince. Afinal de contas, é o Lince o único software que termina as suas conversões com a espantosa frase: «Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico – convertido pelo Lince.» Todos os futuros conversores e correctores o usarão como referência. Logo, quem modificar o lincês, vai depois também forçar todas as empresas de software a fazer o mesmo. Tudo continuará a ser «compatível com o Lince».

Ora o que eu questiono no meio disto tudo é a aplicação prática deste AO90.

Se pelos vistos é impossível aos adultos perceberem como se escreve português, recorrendo-se a uma aplicação para escrever por eles, como é que podemos esperar que seja possível ensinar português?

Mesmo que se ensine uma versão do português, como podemos nós — pais, cidadãos — assegurarmo-nos de que a versão do português que está a ser ensinada é a «correcta» e não uma interpretação qualquer que alguma pessoa desconhecida tenha feito?

Como podemos assegurar que em duas escolas diferentes, dois professores no mesmo ano estejam a ensinar o mesmo português?

Como podemos assegurar que todos os órgãos de comunicação social, todos os documentos oficiais, toda a correspondência do Estado, seja escrita de acordo com o AO90 de forma correcta?

Como podemos validar independentemente que assim é?

A resposta: usando o Lince.

Pois…

Infelizmente, só para chatear, mesmo a versão 1.2.12 do Lince já não respeita o AO90, pois torna obrigatória certa grafia que é, na realidade, facultativa.

Quer isto dizer que neste momento, as dezenas ou centenas de milhares de pessoas que estão a ser obrigadas, contra a sua vontade, a escrever português de acordo com o AO90, estão a usar o Lince e a escrever português incorrectamente.

Sem o saberem.

Mas o mais assustador é que, de um dia para o outro, apenas mexendo numas linhas de código e lançando uma versão 1.2.13, todas essas pessoas, como por magia, podem passar a escrever correctamente (se assim os programadores do Lince o entenderem).

Que prodígio da tecnologia! Uma aplicaçãozita que no meu Mac ocupa uns meros 12 MBytes tem o poder extraordinário de decidir como se escreve em Portugal; tem o poder de chumbar criancinhas e deixar pais arreliados; tem o poder de tornar a população toda em analfabetos funcionais, que, sem essa ferramenta, jamais saberão o que irão escrever.

Bem. Merece a pena reflectir um pouco no assunto.

Eu no passado, quando questionava o Acordo Ortográfico de 1990, apontava duas falhas principais. A primeira era que este era apresentado, falaciosamente, como sendo «o resultado de um processo científico». Há na população em geral um grande respeito pela ciência, e, em geral, a população está de acordo que os nossos representantes democraticamente eleitos, quando tenham de tomar decisões complicadas, peçam a opinião de peritos. Na altura fiquei absurdamente chocado ao reparar que o documento do AO90 não tinha levado sequer a menor revisão científica. Mas era «assinada por cientistas» — da Academia de Ciências de Lisboa — pelo que se assumiu erroneamente que o trabalho tinha legitimidade científica. Quando não tinha. E na altura foram muitos cientistas a apontar as falhas. Mas os políticos não são cientistas e não compreendiam a essência do debate, pelo que assumiram que se o documento vinha das mãos de cientistas, era porque era bom. Erro crasso!

O segundo problema foi a sua implementação contra a vontade popular. Não há manifestações nem apoios populares à implementação do AO90. Há, sim, ilustres personalidades que espontaneamente se manifestaram a seu favor. Isto é outra falácia: a falácia da autoridade. Ou seja: lá porque uma pessoa VIP se manifesta a favor de alguma coisa, não quer dizer que essa coisa esteja certa. Especialmente quando há centenas de milhares de cidadãos contra essa coisa. Não houve, pois, qualquer respeito pelos processos democráticos.

Nenhuma petição foi aceite, e não foram poucas. A única coisa que poderia ter travado efectivamente o processo seria a Iniciativa Legislativa de Cidadãos criada para o efeito. Mas esta, apesar de ter reunido dezenas de milhares de assinaturas, esbarrou num problema burocrático. Historicamente houve muito poucas ILC em Portugal, e uma funcionária na Assembleia da República achou por bem recusar as assinaturas que viessem em formato digital. Havia um vazio legal neste aspecto, por isso lá se tentou percorrer o país todo em busca de gente para assinar o apoio à ILC em papel… e ainda não se conseguiram todas.

Mas, seja como for, é evidente que o poder político tem conhecimento destas iniciativas. E mesmo a promulgação da lei que «obriga» a escrever usando o AO90 pode ser inconstitucional, mas a verdade é que as petições que chegam ao Tribunal Constitucional parecem não surtir efeito algum.

Efectivamente há quase como uma conspiração enorme para impedir que a população portuguesa possa protestar. Mas nem sequer podemos, nas próximas eleições, votar em políticos que prometam abolir o AO; todos os partidos políticos consideram esta questão de menor importância, e não a incluem nos seus programas. Faz sentido: afinal de contas, os portugueses preocupam-se mais com o dinheiro que têm nas carteiras do que com a forma como escrevem e de como irão escrever no futuro.

Pois bem, lanço mais um ponto para cima da mesa. Independentemente das questões políticas, ideológicas, de apego à literatura e à história, ou mesmo de razão prática, a pergunta que faço a todos os portugueses, em especial àqueles que até apoiam o novo acordo ortográfico de 1990, é a seguinte:

Vão querer que seja um programa de computador (desenvolvido por uma entidade sobre a qual não têm qualquer controle) que vos diga como é que devem escrever?

Pensem bem no que isto implica antes de responderem «sim, não me importo que seja um programa de computador a decidir a forma como escrevo».

Porque na realidade não se trata do acordo ortográfico novo. Esse ninguém o sabe aplicar de forma consistente. Trata-se, isso sim, de admitir que vamos passar a ser forçados a usar uma ferramenta desenvolvida por terceiros para nos diga como devemos escrever a nossa língua materna. Isso é que é o ponto que está em discussão.

Ou talvez já não esteja.

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2 pensamentos sobre “Ortografia por computador

  1. Admito que o português deste texto não esteja lá muito bom. Só de pensar no Lince a mandar toda a gente a escrever da mesma maneira dá-me náuseas e tonturas, e por vezes só cometo gralha atrás de gralha.

    Para piorar a situação, o meu corrector ortográfico, que presumo que esteja ligado ao Google Translate, já nem sequer reconhece o meu português. Acha, por vezes, que estou a escrever espanhol, e sugere-me correcções para o idioma do país ao lado. Que vergonha! (ou será que vergüenza?) Mas poderei criticar a Google? Não! Eles, afinal de contas, já não sabem como é que os portugueses escrevem.

    Nós também não.

  2. …You need a piece of software to write “ashpetu” as “aspeto” instead of “aspecto”? It is hard to take you seriously after such claims.

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