Regresso ao passado

Cifrão

Como sabem, não tenho muita pachorra para ideologias, mas isso não quer dizer que não ouça o que as pessoas com outras ideologias políticas digam. Lembro-me de que há anos que os meus amigos comunistas (sim, tenho amigos de todos os espectros políticos, desde anarquistas, libertários de esquerda e direita, comunistas, socialistas, sociais-democratas, algures qualquer coisa pelo centro, democratas-cristãos, e nacionalistas. Dou-me bem com todos 🙂 ) insistiam que Marx tinha razão e que o capitalismo desregulado precisava de expandir constantemente os mercados para sobreviver, senão colapsava por si só.

Isto era difícil de engolir no período entre 1980-2000, onde claramente o que estava a funcionar era justamente a desregulação a todos os níveis. Quanto mais o Estado tirava as patas da economia, mais esta crescia, e melhor viviam as pessoas. Em países cronicamente pobres como Portugal, nascia uma nova geração de «novos-ricos», self-made men (e women) que, do nada, geravam riqueza com facilidade — porque o mercado estava ávido de consumir mais e mais, e qualquer ideia parecia «pegar» porque havia tanto dinheiro em circulação e tanta vontade em gastá-lo. Parecia haver bons argumentos, pois, que Marx andava iludido e que os seus defensores estavam alienados da realidade.

Uns trinta anos mais tarde, estamos numa «crise financeira» que não se percebe porque é que não acaba. Mas a verdade é que também não é conveniente que se saiba como começou. O «período áureo» dos anos 90 terminou, não se sabe lá muito bem porquê, mas na realidade a história começa umas décadas antes.

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