A Internet totalitária

Disclaimer: Não me filiei no Bloco de Esquerda e não defendo a sua ideologia (se é que eles têm alguma). Continuo a achar, mais do que nunca, de que neste momento a monarquia seria mais útil à sociedade portuguesa (mesmo que também possa não concordar com as opções ideológicas da maioria dos monárquicos). Continuo a defender o direito a todo e qualquer cidadão de ser remunerado pelo seu trabalho da forma como muito bem entender e de afixar os preços como achar que é melhor para si, sem intervenção do Estado (excepto em situações de monopólio/oligopólio/cartelização). Portanto ainda defendo ideiais de direita.

Continuo igualmente a apoiar a ideia do Estado Social, onde o único papel do Estado é o de distribuir riqueza para termos uma sociedade mais justa. Esse papel é o de Robin dos Bosques: tirar aos que têm demais para apoiar os que mais precisam (e que realmente merecem o apoio); não o papel «invertido» que temos hoje em dia (onde o Estado taxa os que não podem fugir aos impostos para enriquecer aqueles que têm os seus bens e capital fora do alcance da máquina fiscal). Continuo a defender que o papel do Estado deve ser limitado à fiscalização e regulação, nomeadamente o de evitar (mas também o de prevenir) os abusos a um mercado que se pretende livre (o combate à corrupção, à cartelização, aos monopólios, quasi-monopólios, e oligopólios). Nesse sentido, sou social-democrata, mas na utilização dada por essa designação fora do PSD.

Mas também apoio a mobilização da sociedade para apoiar os mais carenciados (e hoje em dia somos quase todos…) e do Estado para financiar aquilo que a sociedade civil não quer apoiar: a cultura, a arte, a ciência (e em certas situações, a educação e a saúde). Nesse sentido sou quase socialista 🙂 Entre o modelo europeu e o americano (onde o Estado não apoia directamente esses aspectos da sociedade), revejo-me mais no modelo europeu, porque as noções de «caridade» e investimento voluntário e altruista na arte e cultura são valores que não fazem parte da nossa sociedade — embora façam parte da sociedade americana, mais conservadora e religiosa que a europeia.

Apoio a livre circulação de pessoas, bens e serviços como pilar fundamental da União Europeia — deve ser o cidadão europeu que escolhe onde quer trabalhar, onde quer viver, e onde quer pagar impostos. Nesse sentido, sou liberal. Mas também defendo que o modelo de «União Europeia» não funciona: estamos a dar dinheiro (quase) de borla sem impôr regras estritas da sua aplicação. Nesse sentido, sou federalista: se os Estados-membros não conseguem ser rígidos na aplicação das regras, tem de haver alguém que lhes diga o que fazer, como fazer, e como é que não o podem fazer, e essa aplicação de regras não pode ser «voluntária».

E, finalmente, apoio a livre circulação de ideias, seja pela Internet, seja por qualquer outra forma. Acredito em modelos de sociedade onde as pessoas, nos seus tempos livres, e tendo garantido o direito ao seu trabalho (o que está na Declaração Universal dos Direitos do Homem e replicado em praticamente todas as constituições democráticas no mundo), possa colaborar livremente em projectos e ideias que beneficiem terceiros, sem se preocupar muito com a sua própria remuneração. Apoio o voluntarismo. Apoio a criação espontânea de grupos de trabalho para resolver problemas sem ser necessária uma «organização estatal» (ou corporativa) que diga as pessoas o que fazer; estas conseguem organizar-se perfeitamente sozinhas, desde que haja vontade e capacidade de trabalho. Mas também apoio o direito à privacidade (em todos os seus aspectos) e a liberdade de cada cidadão de apenas revelar ao Estado o que quer — e que, na privacidade das suas casas, toda a gente tem direito a fazer o que muito bem lhe apetecer (desde que não seja ilegal). Nesse sentido, sou quase libertário de esquerda 🙂

Neste último aspecto, é óbvio que apoio todas as iniciativas que procurem limitar a liberdade de acesso à Internet, à livre circulação de ideias, e à privacidade do que cada cidadão faz com a Internet no conforto e segurança das suas próprias casas. Não reconheço a ninguém, por mais bem intencionado que seja, o «direito» a interferir com essa liberdade. Não aceito «moralismos» de que fazer X ou Y é errado, porque «uma entidade superior» (mundana ou alegadamente supra-mundana) sussurrou a um político o que está «certo» ou «errado», e que, a partir disso, lhe concedeu o «direito» de dizer às pessoas como devem pensar, seja no espaço público, seja no privado. Obviamente que em público temos regras e normas de conduta a seguir, para benefício de todos. Mas o que fazemos em privado com a nossa família e/ou amigos é connosco (desde que não seja ilegal).

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