Três argumentos a favor do Google Plus

Coloquei isto no Facebook (ironia das ironias) mas achei que era mais fixe reunir tudo num post só e colocá-lo aqui. Porquê? Porque o Facebook não permite a pesquisa de conteúdo, e isso significa que em breve desaparecerão. E tenho interesse, daqui por um ano ou dois, olhar para este artigo e rir-me imenso com as previsões idiotas que fiz.

Os três argumentos a favor do Google Plus

Concordo em absoluto que o forte do Facebook foi tornar-se na maior plataforma de distribuição de jogos “casuais” (no sentido de serem jogos para não-jogadores) que depois se tornaram em “sociais”. Isso foi o pontapé de saída para que empresas como a Zynga surgissem praticamente do nada para se tornarem monstros de uma nova geração de jogos, que pura e simplesmente se tornaram “mainstream” (enquanto que dantes eram meramente um nicho).

Concordo também em absoluto que a segunda maior inovação que o Facebook teve foi copiar a ideia do Digg (a ideia de “gostarmos” de coisas que encontramos na net) mas integrá-la numa plataforma social. Ou seja: já havia jogos antes do Facebook; já havia forma de dizer às outras pessoas do que gostávamos; mas foi o Facebook que levou as duas coisas às “massas”.

Logo, onde o Google+ vai fazer a diferença não é em nenhuma destas duas áreas. Vai, isso sim, como disse o fundador do MySpace, conseguir finalmente aquilo que tinha prometido como Wave (e que falhou), e aquilo que o MySpace sempre quis fazer (mas que também falhou): integrar sistemas diferentes numa rede social única.

Isto precisa de uma explicação. Quando o Facebook começou, o que era mais interessante era ter forma de ir “puxar” imagens do Flickr e vídeos do YouTube para a nossa timeline e integrar no nosso perfil (já que o Facebook não permite — felizmente! — um nível de personalização muito grande). Mas depois o Facebook tornou-se ganancioso: porquê enviar tráfego para a concorrência? Porque não incluir toda essa funcionalidade no próprio site? (O MySpace sucumbiu à mesma tentação)

Ao fazê-lo, obrigou as pessoas a largarem as aplicações que já usavam para usarem exclusivamente o Facebook: e sobre isso o Zuckerberg aplicou maior controlo. As fotos e vídeos pertencem-lhe. Os nossos dados pertencem-lhe também. Quanto mais partilharmos, mais dados ele tem, e mais força um maior número de pessoas a vir para o Facebook para poder ter acesso a conteúdo controlado.

Ora o protótipo do Google+ parece quebrar com essa regra. Em vez de “forçar” tudo a estar no mesmo sítio, aparentemente o que vai é permitir que possamos ir buscar tudo a outros sítios, e, de forma inversa, alimentar todas as redes sociais a partir de um sistema integrado. Neste momento, o protótipo apenas integra com o Picasa. Mas talvez daqui por um ano integre com tudo. E não só com produtos Google (como o Google Games…), mas com praticamente tudo que exista por aí. Deixamos de estar “presos” a uma plataforma, mas usamos a que nos convier mais.

Mas não é aí que se vai prender a atenção dos marketeers; isto é apenas argumentação para os jornalistas. Para os marketeers, uma coisa apenas vai interessar: o +1. A Google vende 28 mil milhões de dólares com anúncios — quase todos na pesquisa. A pesquisa é influenciada pelos +1. Quanto mais gente partilhar um link, melhor será o resultado na pesquisa (desde, claro, que a pessoa esteja ligada ao Google para ver esses resultados; mas 200 milhões já estão). Ora isso vai dar um forte alerta aos marketeers: se querem que os seus anúncios sejam mais vistos nos motores de pesquisa da Google, têm de convencer os anunciantes a atrairem um grande número de pessoas a clicar no +1. Quanto mais clicks, maior a possibilidade de aparecer o “seu” anúncio. E isto vai ser a base de negócio desta segunda década: a forma de influenciar os anúncios “certos” a aparecerem.

Os “Likes” do Facebook não têm relevância… excepto para o Facebook, claro. Mas a Facebook só vende anúncios no Facebook, por isso é evidente que não se está a perder nada com isso. Em contraste, o Google vende anúncios em todo o lado. Por isso a opção dos marketeers vai ter de ser entre recomendar os anunciantes a terem anúncios num mercado que vale 1800 milhões de dólares e que tem 700 milhões de utilizadores, ou, em vez disso, colocá-los num mercado que vale 28 mil milhões de dólares e que tem 3 mil milhões de utilizadores, um terço dos quais em plataformas móveis. A Google oferece esta segunda hipótese, por sensivelmente o mesmo preço.

Resumindo, eis, para já, os pontos fortes do Google+:

  1. Para os geeks, para os apologistas da liberdade de informação, para aqueles preocupados com privacidade: um modelo novo que respeita a Netiquette dos tempos da USENET, em vez do modelo “privacy is dead” proposto pelo Zuckerberg.
  2. Para os jornalistas, a solução que permite integração entre tudo e com tudo, na mesma plataforma social, sem restrições impostas pelo proprietário da plataforma.
  3. Para os marketeers, um mercado vinte vezes maior (pronto, quinze 🙂 ) em valor e quatro vezes maior em público-alvo para colocarem os seus anúncios.

Ter “Rodinhas” ou não ter “Rodinhas” é pouco relevante neste contexto.

Isto vinha a propósito do interface do Google+ ser ou não inovador, revolucionário, e a forma de atrair utilizadores; muitos assumiam, e penso que correctamente, que a interface do Google+ não é assim nada de especial (posso concordar parcialmente com isto) e que não vai ser isso que vai trazer utilizadores ao Google+ (concordo em absoluto com isso). Obrigado ao Nelson Zagalo por ter lançado esta discussão no Facebook 🙂

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2 pensamentos sobre “Três argumentos a favor do Google Plus

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