Sid Meyer’s Alpha Centauri

Sempre tive um fascínio por “jogos inteligentes” – todos aqueles que tivessem como objectivo principal colocar-nos a PENSAR, em vez de ser “pure entertainment”.

Sid Meyer é alguém que “conheço” desde os tempos do SimCity original – altura em que na universidade se fez um concurso para criar a cidade maior em apenas uma semana. A AI nessa altura era primitiva (só para dar uma ideia, o código do SimCity original corre em PDAs e telemóveis actualmente…) e houve, claro, quem descobrisse “o truque” para enganar a AI e conseguir manter uma cidade estável e ganhar o jogo…

Seguiu-se o Civilization nas suas diversas encarnações. Ainda hoje muito copiado e provavelmente o Civ 3, dentro da geração de jogos “turn-based” do tipo XXXX (Explore, Expand, Exploit, Exterminate), será o que tem a melhor AI, a custo de consumir tanto CPU que ao fim de uma hora de jogo os turnos levam quase 3 minutos a correr num velho Pentium II a 600 MHz. É pena…

Alpha Centauri é uma oferta da Firaxis Games de 1998 que continua onde o Civ 2 acaba: justamente a exploração de Alpha Centauri. Algo correu mal com a primeira viagem, a nave-colónia separou-se em várias facções, cada qual com a sua visão de como a colonização deveria ser feita. Ao chegar ao planeta, já ninguém se entende, e cada qual começa a aplicar a sua visão e a “proselitar” as restantes para se juntarem a eles num Governo Mundial – ou então, serem silenciosamente exterminados. Mas o planeta é habitado por seres quasi-inteligentes que também têm uma palavra a dizer no jogo…

O setting é perfeitamente assumido como Ficção Científica e houve imenso cuidado de preparação. Não só a GUI é bastante “techie” (parece que estamos no cockpit de uma nave), como houve muito cuidado com todos os pormenores. Estamos no século XXII e deve-se notar isso.

O mais giro são as citações. Cada elemento “novo” do jogo – a primeira vez que construimos um edifício, a primeira vez que desenvolvemos um protótipo, um “milestone” de desenvolvimento tecnológico – mostra uma citação, lida pelo líder de uma das facções. Desde citações imaginárias, a Shakespeare ou aos clássicos gregos, há lá de tudo. O target deste jogo é um público mais adulto que o de Civ 2. Um puto de 15 anos não faz puto de ideia porque é que o líder da facção liberal-capitalista está a citar Adam Smith ou Keynes. Para o jogador mais adulto, é satisfatório ver que as dialog boxes dizem coisas como “Terraform complete” ou “Unit activated” do que o “Gee gosh do you really wanna me to do that?” do Civ 3 ou o “What is it?” de um Warcraft 3. Os putos ficarão decepcionados com o tom “sério” do jogo.

O jogo é uma série de compromissos ideais e tem todos os ingredientes dos jogos do género com alguns que lhe são únicos, e que, apesar dos 6 anos de idade, ainda não vi serem replicados:

1) Tem significativamente a mesma AI do Civ 2. Rápida q.b. para se poder jogar um jogo com desafios (acho que tem 7 níveis, e a partir do 5º o desafio é sério; para piorar as coisas, existe um setting de “maior agressividade” por parte das facções. Significa isto que vão substituir a sacanisse diplomática pela guerra total 🙂 ), sem ser bocejantemente lento nas fases finais do jogo como acontece com o Civ 3.

2) Terraforming. A série Civ e cópias do mesmo sempre deram grandes possibilidades em termo de “modificação” do ambiente: construção de estradas, exploração agrícola, etc. No Alpha Centauri isto é levado ao extremo, pode-se modificar TUDO no mapa com as nossas terraforming units: criar mares, ilhas, rios, etc. ou destruir os existentes. Aliás, uma estratégia militar é mesmo, no meio de uma batalha violenta, “afogar” os adversários no mar. Leva tempo a fazer terraforming, mas para uma batalha demorada, pode ser uma estratégia para a qual não há fuga, sob pena de destruirmos também as nossas unidades…

3) 3D isométrico com “altos e baixos”. Os jogos mais recentes (ex Warcraft 3) já começam a abandonar o isométrico puro para mostrarem colinas, vales e montes. Estranhamente o Civ 3, que é recente, não tem nada disso, mas o Alpha Centauri tem. Os montes influenciam o clima – os ventos sopram por cima do mar, chegam aos montes, e chove mais nuns lados que no outro. Não é de perto nem de longe tão complexo como o Tropico (com o seu complexíssimo sistema climatérico), mas vai mais ou menos nesse sentido. E é muito mais giro, pois temos de ter em atenção os efeitos do terraforming – ao criar uma montanha, estamos a aumentar a humidade dum lado, e a secar o outro, pelo que temos de ver se não vamos dar cabo do ambiente das cidades envolventes…

4) Technology Tree. Isto é o habitual na série Civ, a technology tree está muito bem estruturada e a utilização correcta da mesma é vital para se conseguir obter benefícios sobre os adversários. Investimento em tecnologia compensa REALMENTE. No entanto, aqui para mim a única falha é que na fase final do jogo os desenvolvimentos são muito rápidos…

5) Vehicle Prototype Workshop. Isto é o que faz o jogo único! TODAS as unidades, em vez de estarem “fixas” pela technology tree, são COMPLETAMENTE EDITÁVEIS. Podemos escolher juntar chassis, motores, tipos de armamento, sensores e outros equipamentos, etc. Para quem não tenha paciência para estar sempre a desenhar novas unidades, felizmente o jogo é suficientemente inteligente para gerar as suas próprias unidades sempre que desenvolvemos novas tecnologias… e até adaptar automaticamente as unidades criadas por nós!

Existe também a possibilidade de jogar em rede (penso que apenas local). É um jogo fixe para “segunda actividade” – um jogo leva 3-4 horas a jogar, e como é por turnos, temos de esperar pelos outros jogadores acabarem as suas jogadas. Por isso podemos ir fazendo outras coisas enquanto esperamos! (heh!)

Existem versões para Windows, Linux e Macintosh. Eu tenho uma licença válida de cada 🙂 As versões são completamente idênticas, e a versão Linux corre sobre X11, pelo que podemos “mandar” o display para outro lado. Aliás, em Mac já usei o VirtualPC para correr a versão Linux e mandar o display para o X11 a correr no Mac. Muito fixe. Infelizmente a firma que fez a versão Linux (a Loki) já foi à falência…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s