Milagres vs. Fenómenos Paranaturais

[Nota: este texto está desactualizado. Deixo-o aqui apenas como referência pessoal, tipo diário. Todos mudamos de opiniões! Às vezes até é para melhor…]

Como católico, não acredito em milagres que não sejam dogmáticos 🙂 e os únicos que são supostamente dogmáticos são os que foram “feitos” por Jesus Cristo 🙂 (e mesmo esses… digamos que os evangelistas, como qualquer bom autor, tinham muuuuuuuita liberdade criativa nas suas descrições 🙂 Mas enfim…) Por acaso, até prova em contrário (tipo: o próprio Cristo a bater-me à porta e a explicar-me a situação 🙂 ), até acho que TODOS esses alegados “milagres” de JC têm explicações científicas perfeitamente razoáveis, ou são – muito mais provavelmente – erros de compilação, de tradução, misturados com a tal criatividade literária. Sinceramente, para além de darem “colorido à história”, não estão a fazer lá falta nenhuma à mensagem. Má FC, sem dúvidas 🙂

Quanto aos OUTROS milagres (ie. pós-JC), sou completamente céptico. Tínhamos aqui de perder horas completamente off-topic a tentar definir o que são “milagres” e o que não são. Violações das leis da física? No way, José. Poderes místicos ocultos e apenas disponíveis a um grupo de “iluminados”? Bem, já depende do que são esses “poderes”; existiram ao longo da história da humanidade toneladas de seres humanos com capacidades extraordinárias (inteligência, carisma, capacidade de trabalho, força…) que tornariam todas as suas proezas verdadeiros “milagres”. Some-se a isso uma grande liberdade criativa por parte de quem descreveu esses milagres, e pronto: já não sabemos com quantas linhas nos cosemos. Daí o meu terrível cepticismo.

Quanto a coisas como “curas milagrosas”, ou “intervenções milagrosas” pedidas a santos ou outras entidades similares, já apenas posso dizer que a cura está em 50% na nossa mente, coisa que aceitamos hoje em dia como um lugar comum. Não tenho qualquer dúvida em acreditar (note-se: não em demonstrar matematicamente, ou sujeitar esta crença na auto-cura pela mente à análise rigorosa do méodo científico) que alguém com muita fé que confie plenamente que essas “intervenções milagrosas” vão funcionar se consegue curar – pelo menos em casos estatisticamente significativos. Há ALGUNS estudos científicos sobre o poder da oração, e parece haver um desvio estatístico positivo no sentido de se curar mais facilmente aquele que acredita que Deus (ou alguém através dele) o pode curar “miraculosamente”. Mas devo ser honesto e dizer que os mesmos estudos mostram que ateus convictos se curam com a mesma facilidade que crentes, desde que se empenhem em acreditar que se conseguem curar. A meu ver (sim, continuo católico 🙂 ) a tarefa está mais facilitada para os crentes que depositam a sua confiança num Deus que não hesitará em ajudar quem queira ser ajudado, do que em ateus que preferem apostar com mais força em si mesmos. Mas, como é evidente, sou demasiado parcial para poder emitir uma opinião neutra; aceito perfeitamente que queiram demonstrar-me o contrário (ie. que é mais fácil acreditarmos em nós próprios para nos curarmos a nós mesmos). Seja como for, não nos conseguimos curar de TUDO apenas com o “poder da oração” ou o “poder da mente”. Felizmente temos medicamentos e cirurgias para todas essas situações (e viva a ciência da medicina e farmacêutica!).

Ou seja, chamar a isso “milagres” é perfeitamente discutível. Prefiro chamar-lhe auto-cura psicológica ou qq. coisa assim que não tenha nenhuma conotação “religiosa”.

Em resumo, penso que a maioria dos “milagres” alegadamente documentados se encaixam justamente nestas três áreas: violações das leis da física, super-poderes, e curas miraculosas. No primeiro caso, acho impossível; no segundo, acho que são exageros de quem descreveu esses super-poderes; e no terceiro caso, acredito que possam haver curas miraculosas apenas pelo poder da mente (ou da oração, se forem crentes), mas que não são verdadeiros “milagres”.

Além disso, Deus não é uma espécie de Steven Spielberg com a sua Dreamworks a realizar efeitos especiais grandiosos para impressionar os pobres e raquíticos humanos. Acho que deve ter bem mais que fazer do que isso 🙂 Aliás, ainda para mim o maior milagre é ter realizado uma Criação que quase se auto-explica sem necessidade de Criador 🙂 (1)

Mas para mim não faz qualquer sentido Deus andar por aí a criar Universos e depois a inventar constantemente pretextos para violar as Suas próprias regras 🙂 Teríamos assim uma espécie de Isaac Asimov que “inventa” três leis da robótica para depois escrever 35 romances e mais de 200 contos a arranjar histórias em que as leis sejam violadas. Nah. Não vejo nenhuma explicação racional para isso – teríamos de criar uma teologia de um Deus sacanóide, para aí a inventar regras muito perfeitinhas e todas a baterem certo umas com as outras, mas de vez em quando, a meter umas perversidades lá pelo meio… do tipo: “ai pensam que sabem de tudo?? Ahá! Vamos agora estragar-vos as vossas lindas teorias e meter para aqui uns tipos com o dom da bilocação, só para ver se conseguem explicar *isso*. Oh Sto. António, anda cá… ou será que é: anda lá?” Peço desculpa, mas não caio nessa do “Deus perverso” e de uma Criação que não se pode auto-explicar. As duas coisas não são coerentes em simultâneo.

Anúncios

Um pensamento sobre “Milagres vs. Fenómenos Paranaturais

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s