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	<title>Um blog idiota do Luís Miguel Sequeira</title>
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	<description>Divagações insanas sobre Internet, política, cultura e religião, de quem devia ter mais juízo</description>
	<pubDate>Mon, 04 Feb 2008 21:09:28 +0000</pubDate>
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	<language>pt</language>
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		<title>Sustentabilidade, não ambientalismo!</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 05:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Bjørn Lomborg é o &#8220;professor maldito&#8221;, a voz no deserto que clama contra o eco-terrorismo. Ele próprio ex-ambientalista, o Professor Lomborg largou os movimentos activistas da protecção do ambiente quando foi contratado pelo governo dinamarquês para elaborar um estudo que ajudasse a orientar economicamente as medidas de protecção do ambiente a tomar.
Pasmou-se o pobre professor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://www.lomborg.com/dyn/images/basic_items/thumb/23-image.jpg.jpg?cache=1188934685" alt="Cool it - The Skeptical Environmentalist's Guide To Global Warming" align="left" height="240" width="240" />Bjørn Lomborg é o &#8220;professor maldito&#8221;, a voz no deserto que clama contra o eco-terrorismo. Ele próprio ex-ambientalista, o Professor Lomborg largou os movimentos activistas da protecção do ambiente quando foi contratado pelo governo dinamarquês para elaborar um estudo que ajudasse a orientar economicamente as medidas de protecção do ambiente a tomar.</p>
<p>Pasmou-se o pobre professor quando descobriu os dados <i>reais</i> sobre o ambiente, e a forma como os grupos ambientalistas faziam &#8220;pressão&#8221; para adoptar medidas ruinosas para a economia. A questão não estava já em discutir se queremos mais árvores, mais biomassa e biodiversidade, jardins nas cidades, rios limpos onde possamos nadar, pescar, e beber água, cidades menos poluídas. Tudo isso era obviamente importante. A questão era a forma como o dinheiro dos contribuintes estava a ser empregue em &#8220;políticas ambientais&#8221; que não tinham qualquer impacto ou qualquer retorno ambiental e cujo único propósito era&#8230; de promoverem uma agenda de esquerda dos grupos ambientalistas mais radicais.</p>
<p><span id="more-57"></span>Após ter escrito <a href="http://www.lomborg.com/publications/the_skeptical_enviromentalist/" target="_blank">The Skeptical Environmentalist</a>, mostrando que afinal de contas o ambiente não estava assim tão mau como nos queriam fazer pensar, e, mais importante que isso, estava-se a desperdiçar dinheiro em medidas completamente inúteis sem nenhum impacto (para além de muito falatório nos media), Lomborg tornou-se o Inimigo Público Nº 1 dos grupos &#8220;verdes&#8221; (ex-&#8221;vermelhos&#8221;). Foi acusado de tudo e mais alguma coisa, começando por estar &#8220;a soldo das empresas poluidoras&#8221; e passou por uma expulsão da universidade onde leccionava e fazia investigação científica sobre economia e estatística. A sua expulsão foi largamente noticiada pelos ambientalistas, que viam nisso o comprovativo da ausência de peso das suas análises — e que levou o governo dinamarquês a demiti-lo. Lomborg foi mais tarde &#8220;absolvido&#8221; pelas altas instâncias do academicismo dinamarquês e re-instituído no seu cargo como docente, mas essa notícia não passou para os media.</p>
<p>Por essa altura, começou a ser demonizado. Com efeito, foi considerado uma espécie de Hitler que negava o Holocausto. Figuras públicas e proeminentes vieram propôr a criação de um Tribunal de Nuremberga para executar sumariamente (com julgamentos fantoches)  toda e qualquer pessoa que se recuse a acreditar que o Planeta Terra vá explodir/arder/submergir/tornar-se inabitável devido às emissões de CO2. A situação tornou-se ridícula e hilariante — comparar Lomborg a Hitler é uma estratégia tipicamente americana quando a única argumentação é emocional e não racional — se quem emitisse esse tipo de declarações não fosse&#8230; vencedor recente de um Prémio Nobel da Paz.</p>
<p>Neste novo livro, temos um Lomborg muito mais experiente, que sabe perfeitamente com o que conta da crítica mordaz e feroz do ambientalismo de esquerda, e não esconde que a &#8220;guerra&#8221; gira em torno de política, não o ambiente. Inesperadamente (para quem tenha lido o anterior livro de Lomborg), <a href="http://www.lomborg.com/publications/cool_it_-_uk-version/" target="_blank"><i>Cool It</i></a> é um livro sobre <i>sustentabilidade</i>. Isto é um termo que está na moda para descreverum grupo (felizmente crescente) de pessoas que não quer viver na sombra do terror dos grupos eco-terroristas (<i>terrorismo</i> é o uso do medo, das ameaças, a criação de pânico, com o objectivo de forçar mudanças políticas que de outra forma não seriam necessárias. Para haver terrorismo não são precisos mortos, embora os grupos de eco-terroristas mais radicais advoguem a violência física contra todos os que não são amigos dos animais, por exemplo, como a <a href="http://www.peta.org/" title="People for the Ethical Treatment of Animals" target="_blank">PETA</a>), mas que quer um ambiente melhor, saudável, bonito, agradável, livre de poluição, e com utilização de energias renováveis eficientes e baratas. Lomborg afirma-se desde o início como forte partidário desse grupo (assim como eu!).</p>
<p><i>Cool It</i> é fundamentalmente sobre as implicações de viver num mundo onde a concentração do CO2 é superior à da média dos últimos séculos — e que vulgarmente designamos como &#8220;aquecimento global&#8221; (embora, efectivamente, Lomborg demonstre que não há correlações entre o aumento de CO2 na atmosfera e o aumento de temperatura, embora haja obviamente uma ligação entre as duas). O desafio de Lomborg é pegar nos dados reais (e separá-los dos forjados; muitas vezes, no entanto, os dados reais são interpretados incorrectamente) e explicar-nos o que é que <i>realmente</i> vai acontecer, e não o que se <i>especula</i> que aconteça.</p>
<p>O segundo desafio de Lomborg é desesperadamente tentar convencer a sua audiência política que para apostar <i>realmente</i> na melhoria das condições de vida dos habitantes do planeta Terra é preciso investir em medidas <i>eficazes</i>. Aqui o ataque dele é fundamentalmente ao protocolo de Kyoto. Lomborg está aterrorizado com uma potencial estagnação da economia mundial até 2100 — causando inúmeros problemas de saúde, de fome, de falta de emprego, de aposta em energias renováveis, tudo porque 180 triliões de dólares anuais vão ser investidos em alterações <i>incrivelmente ligeiras</i> da concentração de CO2 na atmosfera, em vez de irem para coisas tão simples, tão baratas, e tão eficazes como a erradicação da malária.</p>
<p>Lomborg é profundamente pragmático. O apelo dele é às <i>vidas humanas</i>, não a questões &#8220;abstractas&#8221; sobre se vão morrer mais ursos polares ou se o nível dos oceanos vai subir (ambas as questões são demonstravelmente falsamente representadas — o nível dos oceanos subiu mais nos últimos 150 anos do que irá subir nos próximos 100, e estamos cá para contar a história, e os ursos polares viram o seu número aumentar <i>dramaticamente</i>, apesar de ser permitido caçá-los até à extinção&#8230;). O que Lomborg quer é que os seres humanos, em 2100, tenham melhor qualidade de vida, mais saúde, mais dinheiro, mais tempo livre, que conduzam viaturas não poluentes, que vivam em cidades mais bonitas, que tenham florestas frondosas no campo, que possam nadar nos rios e beber água fresca, que não sofram de SIDA, cancro, malária, tuberculose, e que as suas habitações estejam livre de perigo e que sejam ambientes saudáveis. Isto é o &#8220;mundo de Lomborg&#8221; em 2100 — um mundo que vai ter Invernos menos frios, noites mais amenas,  menos mortes pelo frio (morrem dúzias de vezes mais pessoas devido ao frio que ao calor), mais precipitação (quando a temperatura sobe, chove mais) e água fresca e potável, e logo uma agricultura mais fértil. E, se se abandonar a insistência em meter dinheiro em medida inúteis, será um mundo mais rico, tecnologicamente mais avançado e capaz de substituir completamente a sua dependência de combustíveis fósseis, e sem indústrias poluentes — mesmo em países como a China, a Índia, ou o Brasil.</p>
<p>A argumentação é complexa e variada, mas é, como nos restantes livros de Lomborg, muito perspicaz e altamente convincente. Lomborg não &#8220;nega&#8221; que o aquecimento global exista; nem sequer nega que o aumento do CO2 seja um dos muitos factores que contribuem para isso; também não nega as alterações climáticas (ie. noites menos frias, Invernos mais moderados, mais chuva, alguns países ficando mais frios, outros mais secos) embora comprove que não existe qualquer razão para alarmismos. Talvez um pouco ao estilo de <i>Freakonomics</i>, gosta de nos fazer lembrar que as explicações simplistas estão erradas. Porque é que morrem mais pessoas em furacões e tornados, e porque é que estes causam muito mais danos (segundo os dados irrefutáveis das seguradoras)? Não é porque os furacões estejam mais violentos ou porque hajam agora muito mais; é porque os humanos deslocaram as suas habitações para os locais onde estão mais sujeitos às grandes intempéries, e recusam a respeitar normas de construção. A Flórida, palco dos <i>hurricanes</i> anuais que devastam parte do Estado, e que causam dezenas ou centenas de mortes, tem cinquenta vezes mais população nas zonas costeiras mais perigosas do que tinha no início do século vinte — e que recebem subsídios do Estado para construirem as suas casas em leitos de cheias!</p>
<p>Argumento por argumento, são rebatidos os &#8220;conhecidos malefícios do aquecimento global&#8221;, sem negar a sua existência ou minimizá-la — o que é minimizado é o seu impacto &#8220;alarmista&#8221; como os media nos noticiam. E reforçada a mensagem política: os ministros que assinam Kyoto hoje ganham as eleições, mas não vão estar cá em 2100 para verem o resultado das suas políticas. É fácil ser-se &#8220;ambientalista&#8221; quando se pode fugir às responsabilidades políticas de tomar más decisões económicas&#8230;</p>
<p>Os defensores da sustentabilidade demarcam-se da &#8220;política de terror&#8221;. Recusam a hipocrisia de empolar a &#8220;catástrofe iminente&#8221; com o único objectivo de obterem subsídios para fazerem investigações pouco científicas e que em nada ajudam o planeta. Em contrapartida, defendem que o dinheiro inutilmente empregue em políticas alarmistas seja, em vez disso, colocada a financiar a investigação e o desenvolvimento de energias renováveis, maquinaria e motores energeticamente mais eficientes, métodos de produção fabril não poluente, e em todo o tipo de medidas realmente eficazes para aumentar a qualidade de vida aos habitantes deste planeta — começando pelo combate às doenças evitáveis (com custos irrisoriamente baixos) e o incentivo ao mercado livre de produção agropecuária (para o qual basta o fim dos subsídios americanos e europeus à produção). Segundo a política sustentabilista, estes objectivos contribuem para que <i>todos</i> tenhamos melhor qualidade de vida. Sujeitarmo-nos ao <i>eco-terrorismo</i> dos ambientalistas só nos faz viver em pânico e desespero, pois não é baixando o CO2 na atmosfera que vamos travar a epidemia de SIDA em África ou impedir os americanos de construirem casas em leitos de cheias no meio das passagens dos ciclones&#8230;</p>
<p>Lomborg, como sempre, trás um pouco de sanidade ao debate.</p>
<p>Não tenho a menor dúvida que, tal como aconteceu com o livro anterior, irá de novo ser ameaçado de morte várias vezes. Entretato, <a href="http://agrandealface.wordpress.com/2008/01/06/27/" target="_blank">segundo A Grande Alface</a>, o cepticismo parece estar a voltar aos cientistas do ambiente.</p>
<blockquote><p><i>Obrigado ao Ludwig Krippahl por fazer notar que não há &#8220;correlações directas&#8221;; ou há correlação ou não há; o pleonasmo usado é mau português e incorrecto, pelo que corrigi o texto acima.</i></p></blockquote>
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		<title>Simetria lança novo visual do seu site</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 04:19:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Isto é obviamente auto-promoção, visto estar envolvido, mas cá vai: a Simetria — Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico, celebrando 11 anos de actividade (três dos quais após a demolição da sua sede física e sem espaço físico alternativo; oito anos sem financiamento para as suas actividades de divulgação científica e promoção literária e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://arundel.files.wordpress.com/2008/01/logosim01.jpg" alt="Simetria Logo" align="left" />Isto é obviamente auto-promoção, visto estar envolvido, mas cá vai: a Simetria — Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico, celebrando 11 anos de actividade (três dos quais após a demolição da sua sede física e sem espaço físico alternativo; oito anos sem financiamento para as suas actividades de divulgação científica e promoção literária e de cinema; quatro anos sofrendo de erros das Finanças que insistem em cobrar IVA a uma entidade sem fins lucrativos isenta de IVA&#8230;), <a href="http://www.simetria.org/" title="Simetria">re-lançou o seu site</a>, remodelando o aspecto visual, e mantendo todo o conteúdo desde 2003, mas desta forma usando o WordPress, permitindo assim as pessoas subscreverem a diversos feeds dependendo do tipo de informação que estão interessadas (ex. séries de FC&amp;F na TV, notícias do mundo literário ou científico, actividades da Simetria, etc.). E como não podia deixar de ser, vai também lançar um pequeno ciclo de tertúlias/debates no espaço do <a href="http://secondlife.com/ss/?s=e&amp;u=5ba6146a6d72b9fd9fe836fb04fa2f8e" title="Second Life" target="_blank">Second Life</a>.</p>
<p><span id="more-55"></span>Para que serve então um blog/site novo de uma associação que fisicamente não se consegue reunir? Bom, o público apreciador de FC&amp;F está espalhado por todo o país e já era com muita dificuldade que se juntava para as actividades — poucas, mas algumas. No entanto, a Simetria, apesar de ter tido durante oito anos uma sede física, e em tempos de glória três colaboradores permanentes assalariados, era uma entidade de gestão virtual — quase todas as discussões e decisões sempre se fizeram por email, ou mais recentemente, Instant Messaging. A Simetria tem site e email desde 1996 — já nessa altura remota não fazia sentido que fosse de outra maneira. Agora, sem qualquer local físico, só faz sentido reforçar a presença Web, incluindo as novas tecnologias de &#8220;reunião remota&#8221; (caso do Second Life), para manter o público informado.</p>
<p>E há assim tanto público?&#8230; Estimam-se em cinco mil os leitores regulares de literatura fantástica e de ficção científica em Portugal. Mas os fãs de filmes e séries de TV serão centenas de milhar. Ironicamente, foi o campo da literatura que foi aquele que mais se &#8220;dividiu&#8221;. A Simetria nasceu essencialmente de um grupo de uma dúzia de autores que tinham interesse em &#8220;criar um mercado&#8221; para a literatura de FC&amp;F, e é através da divulgação que se &#8220;evangeliza&#8221; a população para que olhe para este sub-ramo maldito da literatura que continua afastada dos críticos nacionais do <i>mainstream</i>. No entanto, os autores são as pessoas mais egoístas do universo. Ao longo de mais de uma década, embirraram uns com os outros, partiram para projectos alternativos, juntaram-se ocasionalmente, voltaram a separar-se, zangaram-se uns com os outros&#8230; na melhor tradição do <i>Internet drama</i> que se encontra em todo o lado. A dada altura chegou a existir um grupo (considerável) de pessoas que pretendeu mesmo impedir que a Simetria se intitulasse em Portugal como promotora de FC&amp;F, pois esse grupo não se identificava com a associação e recusava-se a aceitar que esta existisse — promovendo as suas obras (nem que indirectamente). Irónico e ilustrativo da mesquinhez e dos egos inflacionados que por aí andam. Os tempos avançaram, e hoje existem mais associações e organizações a promover a boa FC&amp;F em Portugal, felizmente mais estáveis e também com outras formas de assegurar a sua auto-suficiência, e que mantêm o gosto por este tipo de arte e fazem também a sua divulgação.</p>
<p>No entanto, é verdade que a maior parte dos sites e portais de FC&amp;F que por aí andam estão moribundos (excepto os dos autores mais publicados em Portugal, pois é no próprio interesse que se auto-promovem), ou, quando até são actualizados, usam tecnologia arcaica e obsoleta para o fazerem. Era assim o caso da Simetria também, que desde meados de 2006 não conseguia obter ninguém que actualizasse o seu site regularmente. Vamos a ver se nesta nova fase, com uma mãozinha do WordPress, se consegue activar de novo o portal que, segundo o Google, ainda está no topo das pesquisas para &#8220;ficção científica e fantástico&#8230;</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/55/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/55/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/55/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=55&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Ainda os radares em Lisboa, tudo bem, mas assim não dá&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Aug 2007 15:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Homepage]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o momento em que a CML achou por bem colocar radares em tudo o que é sítio em Lisboa, nomeadamente em avenidas largas, com três faixas para cada lado, sem cruzamentos nem semáforos na zona oriental de Lisboa, onde é certo que circular a 50 km/h é um perigo (há o risco de apanharmos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Desde o momento em que a CML achou por bem colocar radares em tudo o que é sítio em Lisboa, nomeadamente em avenidas largas, com três faixas para cada lado, sem cruzamentos nem semáforos na zona oriental de Lisboa, onde é certo que circular a 50 km/h é um perigo (há o risco de apanharmos com um &#8220;malandro&#8221; que <em>pensa</em> que está numa Via Rápida Urbana e que circule a 80 km/h, como na 2ª Circular, CRIL, Eixo Norte-Sul, ou Radial de Benfica), os pobres lisboetas conseguiram a proeza de engarrafar ainda mais a cidade, já não sabendo onde é que vai estar o próximo polícia à coca, e preferindo assim andar a 30 km/h nas faixas da esquerda, não vá o diabo tecê-las&#8230;</p>
<p>Mas ainda que sejamos obrigados a ter mais atenção — a placas com limites arbitrários escondidas e disfarçadas por trás de árvores; a polícias que estão do lado de lá das curvas; a radares que nos apanham a 200 m de distância sem suspeitarmos; a câmaras secretas que nos espreitam do topo dos edifícios e que mandam fotografias dos nossos bólides — ainda que vá que não vá. Já lá nos vamos habituando a desviarmo-nos das motos que irrompem do nada à velocidade da luz; aos taxistas que mudam de faixas mais depressa do que a <a href="http://www.laetitiacastaonline.com/home.htm">Laetitia Casta</a> muda de roupa na <em>passerelle</em>; aos camionistas que andam a 15 km/h na faixa da esquerda; aos condutores de domingo que andam a meio da rua para subitamente se desviarem para qualquer um dos lados sem aviso prévio; ao pessoal que anda de telemóvel em punho e que não vê nada pela frente&#8230; a tudo isso estamos habituados.</p>
<p>Mas ter agora <em>babes</em> paradas em viaturas mesmo ao nosso lado, isso é que já não dá, isso é que descontrola um pobre coitado completamente&#8230;</p>
<p><a href="http://arundel.files.wordpress.com/2007/08/babe-car-approaching-20072007.jpg" title="“Babe” aproximando-se num carro"><img src="http://arundel.files.wordpress.com/2007/08/babe-car-approaching-20072007.thumbnail.jpg" alt="“Babe” aproximando-se num carro" align="left" /></a>Tenho a certeza que devia haver uma lei qualquer contra elas. As <em>babes</em> são para serem vistas na TV, na Internet (especialmente no YouTube) e nas revistas, onde não podem causar estragos nem acidentes. São um perigo público. Espero que o António Costa na CML as multe por andarem assim nas ruas, sem mais nem menos, a espalhar feromonas no ar. E que o Sócrates aumente os impostos sobre as mulheres belas do país. Há tantas que se calhar ainda consegue reduzir o déficite da administração pública. Ou se calhar elas também distraem os inspectores das Finanças.<a href="http://arundel.files.wordpress.com/2007/08/babe-car-closeup-20072007.jpg" title="Babe no carro, mais próxima"><img src="http://arundel.files.wordpress.com/2007/08/babe-car-closeup-20072007.thumbnail.jpg" alt="Babe no carro, mais próxima" align="right" /></a></p>
<p>Tenham medo, muito medo. <em>Elas</em> andam por aí.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/52/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/52/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=52&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>É cretino, mas divertido&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Aug 2007 17:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://arundel.files.wordpress.com/2007/08/lms-simpson.png" alt="Arundel as a Simpsons Character" align="left" />Uma promoção pateta do Burger King® com os Simpsons:<br /><a href="http://simpsonizeme.com/">http://simpsonizeme.com/</a><br />Sim, eu sei que fico muito melhor assim do que nas minhas fotos normais <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/51/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/51/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/51/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=51&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Política portuguesa entra no Second Life</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2007/07/06/politica-portuguesa-entra-no-second-life/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jul 2007 17:42:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A candidatura de António Costa à Câmara Municipal de Lisboa vai &#8220;muito à frente&#8220;. É engraçado ver que afinal de contas os portugueses estão a tentar recuperar o atraso na utilização rotineira do Second Life.
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A candidatura de António Costa à Câmara Municipal de Lisboa vai <a href="http://costadocastelo.blogspot.com/2007/07/muito-frente.html">&#8220;muito à frente</a>&#8220;. É engraçado ver que afinal de contas os portugueses estão a tentar recuperar o atraso na utilização rotineira do Second Life.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/49/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/49/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/49/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=49&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Teletrabalho, telepresença, e a terceira vaga</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jul 2007 15:28:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Homepage]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando li pela primeira vez excertos da Terceira Vaga do Alvin Toffler (nunca o cheguei a ler por completo), haviam algumas coisas que me intrigavam na &#8220;futurologia&#8221; do Sr. Toffler. Uma delas era a imagem que ele tinha da &#8220;sociedade da informação do futuro&#8221;: as pessoas deixariam de necessitar de trabalhar nas grandes cidades, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://www.flickr.com/photos/wanderingone/120098772/"><img src="http://arundel.files.wordpress.com/2007/07/120098772_c1a0e9bf22.thumbnail.jpg" alt="Acidente complicado" align="left" /></a>Quando li pela primeira vez excertos da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Third_Wave_(book)">Terceira Vaga do Alvin Toffler</a> (nunca o cheguei a ler por completo), haviam algumas coisas que me intrigavam na &#8220;futurologia&#8221; do Sr. Toffler. Uma delas era a imagem que ele tinha da &#8220;sociedade da informação do futuro&#8221;: as pessoas deixariam de necessitar de trabalhar nas grandes cidades, e em vez disso ficariam confortavelmente nas suas casas. A palavra &#8220;teletrabalho&#8221; aparece nessa altura. Estava-se nos anos 80 do século vinte e o conceito era relativamente inovador, embora existissem, de facto, muitos <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">freelancers</span> que já trabalhavam a partir de casa.</p>
<p>Toffler previa um novo modelo completamente diferente de &#8220;cidades&#8221;. Uma vez tornando-se desnecessárias as deslocações diárias em hora de ponta com cidades supercongestionadas, todo o planeamento urbano seria fortemente influenciado e alterado. As cidades passariam a estar principalmente desertas.</p>
<p><span id="more-47"></span>Li sobre o conceito de &#8220;teletrabalho&#8221; (embora não com esse nome) em <a href="http://www.amazon.com/Naked-Sun-Isaac-Asimov/dp/0553293397">The Naked Sun do Isaac Asimov</a>, um livro de ficção científica (e não de futurologia académica como o do Toffler) escrito três décadas antes. O Asimov não era lá grande visionário (ainda não temos robots com cérebros positrónicos!&#8230;) mas nesse livro havia uma idéia nova: uma sociedade pouco populada onde os robots faziam todo o trabalho sujo. Até aqui, estamos no domínio da ficção científica; mas o que era interessante era que o trabalho <span class="Apple-style-span" style="font-style:italic;">intelectual</span> continuava a ser feito pelos humanos, nas suas vastas quintas isoladas umas das outras. A indústria de serviços era toda em teletrabalho. E como comunicavam entre si? Simples — realidades virtuais via uma Internet. Claro, nem o Asimov lhe chamava isso (mas sim uma espécie de &#8220;telefone de hologramas&#8221;), mas podemos, em 2007, olhar meio século para trás e ver que era no fundo isso que o Asimov tinha em mente: uma forma avançada de telepresença.</p>
<p>Não sei se o Toffler leu o Asimov (duvido). No entanto, por volta de meados dos anos oitenta, quando li o livro de ficção científica, e excertos da &#8220;Terceira Vaga&#8221;, fiquei a matutar no que seria uma sociedade onde não precisasse de me levantar às tantas da madrugada para arrastar-me penosamente para um autocarro e ir para a escola.</p>
<p>Mais tarde, já absorvido pelo mercado de trabalho, também pensava nisto que me intrigava. Porque raio teria de me arrastar para marcar o ponto, entrar numa sala onde ficava 8-9 horas por dia sem falar com ninguém, e saír sem ninguém me ver, para marcar o ponto de novo e voltar para casa, perdendo mais de uma hora em transportes, que poderiam ser aproveitados bem melhor em casa? Não se tratava sequer de considerar a questão da &#8220;empresa como espaço social&#8221;; ou de &#8220;melhor planeamento&#8221; por as equipas estarem cara-a-cara. À excepção de uma ou outra reunião de trabalho semanal com a equipa, o resto do trabalho era feito em isolamento. Nessa altura, não tinha Internet em casa (estávamos em finais de 1991&#8230;), mas sem dúvidas que até o meu computador de casa era melhor que o terminal VTY que tinha no trabalho à minha disposição. Na realidade, coisas como relatórios e documentação eram escritos no WordStar, pois não tinha isso no trabalho, e só levava depois o ficheiro PostScript para ser impresso no trabalho. Já estava a fazer um pouquinho de teletrabalho mesmo nessa altura.</p>
<p>Seja como for, nos anos 90, as ideias do Toffler pareciam-me tão loucas como as do Asimov, três décadas antes. Como é que as pessoas poderiam &#8220;viver&#8221; se nunca saíam à rua? Como iriam comprar livros? Ou encomendar pizzas? Ou ver um cinema com os amigos? Mas, mais importante do que isso: como iriam coordenar o trabalho com os colegas? Eu era um privilegiado enquanto o meu trabalho não dependesse de &#8220;mais ninguém&#8221;; mas o resto da humanidade que trabalha na indústria de serviços não tem tal sorte, tem de trabalhar colaborativamente, e faz parte da engrenagem complexa de enormes máquinas de produção de informação e conteúdo. São pecinhas que não estão isoladas. O teletrabalho não funciona para elas. Por isso achei que tudo aquilo era muita imaginação, mas sem sentido prático. É certo que as pessoas trabalham em casa de forma concertada mesmo desde a época industrial (onde tecelões, por exemplo, trabalhavam nos tecidos em casa, e a &#8220;fábrica&#8221; se encarregava de recolher o material produzido, andando de aldeia em aldeia e de casa em casa), mas sempre me pareceu algo de &#8220;extremo&#8221;. Funciona para uns, mas não para os outros: terei sempre de ir levantar cheques a um banco, por exemplo.<span style="font-weight:bold;" class="Apple-style-span"></span><span style="font-weight:bold;" class="Apple-style-span"></span></p>
<p><span style="font-weight:bold;" class="Apple-style-span">A Geração Net</span><span style="font-weight:bold;" class="Apple-style-span"></span><span style="font-weight:bold;" class="Apple-style-span"></span></p>
<p>Nada mais podia ter mudado a nossa percepção da forma como se organiza &#8220;trabalho&#8221; como a utilização diária da Internet, em casa e no emprego. A Internet é uma daquelas coisas a que chamamos &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Disruptive_technology">tecnologia disruptiva</a>&#8220;: não apenas uma facilidade que nos melhora a qualidade de vida, mas algo que muda drasticamente a forma como a nossa sociedade encara determinado aspecto da sua vida. A Internet começou por &#8220;emular&#8221; tecnologias antigas: passámos a mandar emails em vez de faxes, e a consultar a Wikipedia em vez da Enciclopédia Lello (ou Verbo, ou Europa-América, ou Britânica&#8230;). Mas por si só, esta utilização da Internet não foi &#8220;inovadora&#8221;. Um negócio pode ser concretizado através do envio de um email com um contrato, mas as pessoas ainda se reunem para o discutir. Até podemos usar o Skype em vez do telefone, mas continuamos a fazer teleconferências. Se calhar mandamos PDFs de alta qualidade com imagens para o cliente, em vez de um fax ranhoso ou uma fotocópia ilegível, mas continuamos a mandar catálogos. Até podemos dar o nosso contacto de email pessoal para respondermos &#8220;a qualquer hora&#8221; (ou, quiçá, o <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">handle</span> de Yahoo/MSN/Gtalk/AIM/ICQ), mas não é muito diferente de darmos o número do telemóvel.Tudo isto é uma &#8220;adaptação&#8221; das facilidades da Internet a métodos e processos de trabalho existentes. Mas isso não torna uma tecnologia disruptiva.</p>
<p>Em 2004, por questões pessoais, fui &#8220;obrigado&#8221; a passar sete meses na ilha da Madeira (uma experiência positiva e fascinante que merecia um livro por si só <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> — fica apenas o comentário de que é tão estranho sentirmo-nos portugueses rodeados de portugueses num paraíso que tem uma qualidade de vida semelhante à da Alemanha, por exemplo, num espaço sem <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">stress</span>, com pessoas simpáticas e eficientes [até nas repartições públicas!], e com um clima que parece ter sido encomendado de propósito). Naturalmente, mantive o contacto com todos os meus colegas via telefone, email, e <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">messenging systems</span>. A minha actividade profissional, excluindo as reuniões com clientes, é de qualquer das formas sempre remota — manutenção e gestão de servidores e aplicações <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">web-enabled</span> nesses mesmos servidores. Mesmo o trabalho de consultoria geralmente produz &#8220;documentos&#8221;, que são enviados por email (ou correio&#8230;). Ferramentas de gestão de contactos ou de pedidos de suporte há anos que são <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">web-based</span>. Os arquivos documentais são, evidentemente, remotos. Tudo isto significa que o trabalho de toda uma actividade empresarial está alojada na &#8216;net algures — que é acedida do local de trabalho, mas também via VPN, em qualquer parte. Só quando o <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">hardware</span> falha é que &#8220;notamos&#8221; a diferença <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>O meu espanto foi ter notado que uma colega minha, ao fim de mês e meio, é que subitamente se apercebeu de que eu não estava fisicamente em Lisboa. Todos os dias &#8220;falamos&#8221; por email e messenger; ou, raramente, por telefone. Mesmo quando estamos fisicamente no mesmo escritório — o trabalho é todo feito em silêncio via &#8216;net. Naturalmente, nem nos lembramos de espreitar por cima dos separadores do espaço <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">open source</span> para ver se a pessoa está fisicamente lá ou não; o importante é que responda aos emails, aos messengers, aos <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">ticketing systems</span>. Podem passar semanas até que a gente diga &#8220;olá&#8221; em voz alta, por nos cruzarmos na copa ou frente às casas de banho; e com a azafaima do dia-a-dia (com reuniões, horários disconexos, serviços efectuados no local do cliente), isso por vezes é raro. Sabemos que a pessoa &#8220;está lá&#8221; porque comunicamos com ela diariamente via Internet. Mas esse &#8220;lá&#8221; não tem necessariamente uma presença física.Esta questão de imaginar que alguém que trabalha comigo não tivesse qualquer ideia de que eu estava fisicamente a mil quilómetros de distância, com um oceano pelo meio, e há mais de 6 semanas, fez-me uma confusão tremenda.</p>
<p>E porque não deveria fazer? Peguemos numa empresa normal de serviços do dia-a-dia. Se essa empresa tiver 30 pessoas, estamos a contar vê-las todos os dias, combinar coisas com elas, reunirmo-nos com elas, correcto? Se não o fizermos, como sabemos que estão, efectivamente, a trabalhar para nós? Por outras palavras, como é que sabemos que merecem os salários que lhes pagamos?</p>
<p>Vieram-me nessa altura uma série de ideias soltas de <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">cartoons</span> do Dilbert sobre teletrabalho, assim como alguns textos sérios, de gestores e economistas, que falavam sobre a percentagem &#8220;ideal&#8221; de teletrabalho e de como lidar com ela. O Scott Adams, obviamente, goza com o teletrabalho a toda a força. E como o posso compreender: não se está a ver uma empresa como a Microsoft ou a IBM a terem 30 ou 40 mil empregados em casa, seminus e sem tomarem banho, a &#8220;trabalhar&#8221; remotamente para estes gigantes da indústria informática. O teletrabalho é a desculpa ideal para o empregado pouco produtivo ficar em casa a dormir e não fazer nenhum, &#8220;desculpando-se&#8221; que o telefone pifou ou que a Internet estava em baixo.</p>
<p>Todos esses livrinhos tinham, obviamente, uma bela dose de cepticismo. No entanto, muitas empresas americanas recomendavam uma certa percentagem de teletrabalho. Essencialmente para reduzir custos. Se os empregados só se precisarem de deslocar ao local de trabalho 4 dias por semana, e no 5º ficarem em casa, a empresa pode contratar mais 20% de pessoas para o mesmo número de postos de trabalho. E quando temos empresas de dezenas de milhares de empregados, o custo por posto de trabalho — em termos de mesa e computador e manutenção/limpeza — é bem considerável. Ter 20% mais empregados a zero custos de posto de trabalho é uma solução que pesa no orçamento das <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">megacorps</span>.Mas também das nanoempresas. Manter um escritório em Lisboa para 2 ou 3 pessoas é caro: renda, luz, água, Internet, computadores, mesas. Se a empresa crescer para 30 pessoas num curto espaço de tempo, isso tudo cresce exponencialmente. E é aqui que surge um pormenor interessante: as minempresas que conseguem ter essas 30 pessoas num espaço de apenas 3 – sem violar, claro, as normas europeias que obrigam a pelo menos 8 m2 por empregado — conseguem ser mais competitivas, já que têm custos mais baixos. Fazem o mesmo por menos dinheiro. E os clientes gostam de preços mais baixos, obviamente, para a mesma qualidade.</p>
<p>Depois há o efeito das deslocações. Um empregado que não se tenha de deslocar para o trabalho fica com mais tempo livre. Se for <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">workoholic</span> vai estar a trabalhar mais tempo. Se não for, tem uma melhor qualidade de vida. Subitamente os dias tornam-se maiores — em vez de serem 8 horas de trabalho, duas de deslocação, e uma de almoço, passam a ter 11 horas de trabalho sem esforço adicional — ou passam a ganhar 3 horas por dia para lazer, fazendo precisamente o mesmo. Tudo isto parece deliciosamente agradável para toda a gente.</p>
<p>Mas claramente que as pessoas não se seguem apenas pelas vantagens (senão, estaríamos todos a contratar gestores alemães e a tornar as nossas empresas superprodutivas), mas de acordo com &#8220;normas&#8221; e &#8220;modas&#8221; de gestão. Por isso é que ainda vamos de fato e gravata para uma reunião importante, e trocamos cartões de visita (que toda a gente perde e depois temos de lhes mandar os contactos por email). Por isso é que a maioria das empresas portuguesas ainda insiste em marcar uma reunião de apresentação de uma proposta, mesmo que o cliente saiba perfeitamente ler um PDF e possa fazer perguntas por email. Por isso é que um vendedor insiste em ter um BMW, mesmo que possa contactar o cliente por Skype ou MSN para saber se já leu a proposta. Por isso é que marcamos uma conversa com o nosso gestor de cliente no banco, apesar de podermos fazer tudo via <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">homebanking</span>.</p>
<p>São hábitos, são aquelas coisas &#8220;que têm de ser assim para parecermos sérios&#8221;. Se adoptarmos ideias muito malucas de esquemas empresariais, &#8220;estamos a brincar&#8221;. Como dizia o meu antigo director financeiro, &#8220;para as reuniões importantes, vou lá eu com os meus cabelos brancos, mesmo que entre calado e saia calado e sejam vocês, putos, a falar&#8221;. As empresas não confiam em pessoas com menos de 60 anos e 40 anos de experiência profissional para fazerem negócio. Pelo menos metade delas; as restantes já leram como é que as coisas funcionam no <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">Silicon Valley</span> e têm alguma abertura de espírito. Afinal de contas, os <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">keynotes</span> do Steve Jobs têm uma audiência maior que os Gatos Fedorentos, e o Steve Jobs nem sequer precisa de saír dos escritórios da Apple. Alguma coisa estará ele a fazer bem.</p>
<p>Gradualmente, na minha vida profissional, passei praticamente para um <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">full-time</span> em teletrabalho (perto de 80-90% do meu tempo é feito em casa). Não trabalho <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">menos</span> por causa disso. Pelo contrário — acho que nunca trabalhei tantas horas por dia em toda a minha vida. De umas confortáveis 8-9 horas diárias — 10 nos dias maus — passei a dias que nunca têm menos de 12 horas, e que frequentemente vão às 16 — incluindo todos os fins de semana e feriados. Não há diferença relativamente ao &#8220;dia de semana&#8221; ou ao &#8220;fim de semana&#8221;, excepto que provavelmente janto com os amigos. Almoço em 10 minutos (em vez da hora de pausa obrigatória pela legislação em vigor) e reservo os restantes 50 minutos para escrever disparates como este artigo. Curiosamente, não ando menos descansado por estar em casa — o Dilbert estava errado — mas bem pelo contrário, a exaustão é muito maior. Saio da cama para trabalhar e volto para a cama quando deixo de trabalhar, com uma pausa para ir comprar comida ao supermercado.</p>
<p>Como estas coisas são sempre graduais, uma pessoa nem se apercebe, até que de repente há algo que muda. E aconteceu esta semana; o carro chumbou na inspecção com uma anomalia qualquer estranha (não percebo nada de mecânica; mas tudo bem, também não espero os mecânicos que percebam de gestão remota de servidores; &#8220;cada macaco no seu galho&#8221;) e teve de ficar muito mais tempo na garagem que o costume. Normalmente, um ou dois dias sem carro — para alguém que vive a duas horas de distância de transportes públicos para Lisboa — não é grave. O teletrabalho torna-nos completamente independentes da &#8220;Tirania do Automóvel&#8221;.</p>
<p>Mas <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">semanas</span> implica que mais cedo ou mais tarde há as inevitáveis reuniões presenciais a que não podemos evitar. E é aqui que comecei a notar a diferença. Para uma reunião de meia hora, muito simples, e que podia ser totalmente evitada com um email (mas não posso vencer a &#8220;tradição da reunião&#8221;&#8230;), perco 4 horas. É meio dia de trabalho. Meio dia que depois tenho de recuperar. Essas quatro horas, a mim individualmente, custam-me uns 100 euros, se estivesse a fazer coisas produtivas em vez de esperar pelos combóios. Mas às empresas para as quais trabalho, isso significou que perderam a oportunidade de cobrar uns €750-1000 aos clientes, pelo facto de estar a andar de combóio em vez de mandar um email.</p>
<p>Subitamente isto fez um &#8220;click&#8221; na minha mente, quando voltei, extenuado e frustrado, ao conforto relativo da minha casa, do meu computador, e do regresso ao trabalho (a compensar as 4 horas perdidas). Numa semana e meia, graças a meia dúzia de reuniões parvas totalmente evitáveis, as empresas para as quais trabalho perderam uns €5000. É imenso. Se isto fosse sempre assim todas as semanas, eram uns €200.000 por ano. Ai. Até dói. Metam 30 pessoas a perder estas horas todas, e as mini-empresas estão a perder 6 milhões de Euros por ano com estes disparates de deslocações. É muito — mesmo muito!</p>
<p>Em Portugal, não há de forma alguma o hábito anglo-saxónico de imputar a custos o tempo perdido em deslocações e reuniões com clientes — excepto, claro está, no meio dos médicos e advogados (que são uns espertalhões e que por isso mesmo estão a pensar correctamente neste caso). As reuniões e deslocações &#8220;fazem parte&#8221; de uma cultura empresarial. Se uma pessoa &#8220;perde&#8221; esse tempo, é porque &#8220;é assim que as coisas se fazem&#8221;. Se realmente uma empresa &#8220;perde&#8221; 6 milhões de Euros por ano, &#8220;azar&#8221;.O que <span class="Apple-style-span" style="font-style:italic;">não</span> se lembram é que, como este custo não é imputado ao cliente, contribui negativamente para a produtividade nacional — se a medirmos na quantidade de dinheiro gerado <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">per capita</span> por empregado. E pronto, está aqui a causa da baixa produtividade nacional: &#8220;esquecemo-nos&#8221; de cobrar o tempo perdido em reuniões e deslocações. Os nossos parceiros europeus e americanos não se esquecem disso, e por isso uma reunião &#8220;tem custos&#8221;, e é calculada dessa forma. Se o custo for demasiado elevado para o benefício que se vai daí tirar, então não vale a pena perder o tempo da reunião — manda-se só o email, e eventualmente trocam-se umas mensagens via Messenger (que podemos fazer ao mesmo tempo que escrevemos mais uma proposta para outro cliente). Isso, sim, é utilização racional do tempo disponível&#8230; mas, devido a &#8220;modas&#8221; e &#8220;hábitos&#8221;, os portugueses não pensam assim (&#8221;reunião é &#8216;trabalho&#8217;&#8221;, dizem os gestores). E depois admiram-se&#8230; uma empresa com 30 empregados que desperdice 6 milhões de Euros por ano tem de facturar <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">imenso</span> — talvez meio bilião de Euros!&#8230; — para que justifique esse montante como sendo &#8220;negligível&#8221;. Ui. A Câmara Municipal de Lisboa tem um orçamento de 365 milhões de Euros anuais. Quantas empresas em Portugal com 30 pessoas facturam mais do que a CML?&#8230; Devem ser poucas, e quase todas serão de certeza sociedades de advogados ou clínicas privadas.</p>
<p>Depois, claro está, fica em suspenso a forma pela qual se podem efectivamente <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">gerir</span> pessoas em regime de teletrabalho. Isso, obviamente, é o reverso da medalha, a quem não aludi. Propositadamente, pois merece outro artigo. Por ora, fica aqui lançado o repto — teletrabalho e telepresença são uma solução para a baixa produtividade nacional, e uma solução <span style="font-style:italic;" class="Apple-style-span">drástica</span> com um impacto extraordinário no balancete mensal das empresas. Agora há que descobrir o truque de como fazer isto correctamente — especialmente num meio empresarial muito conservador que só faz negócios se puderem ver o branco dos olhos dos fornecedores.</p>
<p><em>Imagem cortesia de <a href="http://www.flickr.com/photos/wanderingone/120098772/" target="_blank">wanderigone</a> (fonte: Flickr) </em></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/47/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/47/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/47/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=47&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Acidente complicado</media:title>
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		<title>O &#8220;Triunfo dos Geeks&#8221; Nacional</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2007/04/08/o-triunfo-dos-geeks-nacional/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Apr 2007 02:49:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[O tempo passa. O Mário fez por estes dias 39 anos. Se tivesse nascido nos Estados Unidos ou noutro país desenvolvido, estaria neste momento ao nível de um Richard Stallman ou de um Tim Berners-Lee, com a projecção do Linus Torvalds, mas com o espírito empresarial do Marc Andreessen (nos seus tempos de glória).
O Mário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://arundel.files.wordpress.com/2007/04/mario-valente.jpeg" alt="Mário Valente" align="left" />O tempo passa. O Mário fez por estes dias 39 anos. Se tivesse nascido nos Estados Unidos ou noutro país desenvolvido, estaria neste momento ao nível de um Richard Stallman ou de um Tim Berners-Lee, com a projecção do Linus Torvalds, mas com o espírito empresarial do Marc Andreessen (nos seus tempos de glória).</p>
<p>O Mário falava com essas pessoas diariamente; a Internet, nesses tempos, era uma coisa global, mas pequenina. Toda essa gente era simpática, acessível, conhecedora, e informativa. Respondiam aos mails. Não eram super-estrelas como os <em>media</em> gostam de nos fazer querer; eram técnicos, com filosofias entre o libertarianismo e o capitalismo <em>laissez-faire</em>, e tinham ideias para modelos de sociedade que poderiam funcionar, se por acaso alguma vez fossem implementados. Isso nunca iria acontecer &#8220;no mundo real&#8221;, mas decerto se podia experimentar na Internet. Ou não? Eram &#8220;bons velhos tempos&#8221; em que todos se conheciam e todos estavam fascinados com o que se podia fazer. Conheci-o em 1992, se não me falha a memória. Andávamos os dois metidos lá no LNEC, esse nosso laboratório de investigação em engª civil que, por um acaso histórico, teve o primeiro computador de cálculo científico em Portugal. Depois teve o primeiro PDP-10 e o primeiro PDP-11 em Portugal; mais tarde, o primeiro supercomputador vectorial (que entretanto foi totalmente abandonado). Lá para 1990, copiando o modelo americano da NCSA, o LNEC, no seu centro de cálculo, albergou aquilo que havia de ser o nó central de toda a Internet portuguesa — o PIX (Portuguese Internet Exchange) — primeiro a nível académico, mais tarde estendendo-se ao espaço comercial. Talvez fossem &#8220;anos de glória&#8221; em que <em>quase</em> se conseguiu acompanhar os modelos importados da América para o crescimento da Internet, mas que iriam, em poucos anos, seguir um rumo muito diferente.</p>
<p><span id="more-45"></span>O Mário e eu éramos um putos irreverentes (a culpa é dele, que eu sou um gajo certinho) que tinham a mania que haviam maneiras melhores de fazer as coisas. Não tínhamos receitas nem ideias pré-concebidas; a Internet era o espaço de diálogo com um mundo que estava a reinventar-se, e a gente absorvia tudo. Ele era sempre o primeiro a descobrir tudo o que era novidade por aí fora, e eu o primeiro convertido (o que não era muito difícil). Estávamos a programar porcarias com <em>sockets</em> quando ele apanhou o HTML/HTTP a ser lançado pelo Tim Berners-Lee. Não fiquei muito impressionado; parecia uma variante do Gopher, que estava mais na moda, e embora fosse um pouco mais flexível, editar HTML &#8220;à pata&#8221; era mais difícil do que meter um Gopher no ar. Enquanto isso, apanhámos um velho PC e instalámos o Linux com o X nele, lá para meados de 1993. Assim podíamos ambos ter uma <em>workstation</em> a cores (éramos uns privilegiados), com a vantagem de que no Linux podíamos instalar o que que quiséssemos, enquanto que nas restantes <em>workstations</em> o <em>sysadmin</em> não nos dava a password de root (o que não quer dizer que não a tivéssemos <em>hackado</em> uma vez por outra). Quando o Mário instalou pela primeira vez o Mosaic ficámos siderados. À nossa frente estava claramente o futuro. Mas ninguém iria acreditar em nós.</p>
<p>Criámos o primeiro site português para o LNEC, num projecto perfeitamente não-oficial, mas que se &#8220;oficializou&#8221; pouco depois. Nessa altura a World-Wide Web era tão pequena que haviam listas que mostravam os sites novos do dia, que consultávamos avidamente; e o Mário lá conseguiu meter o &#8220;nosso&#8221; site na lista: Portugal já não estava isolado do mundo. Mal estava o site no ar que ensinámos o pessoal do INESC a fazer o mesmo; umas trocas de emails e uns posts na USENET, uns pedacitos de HTML trocados, e pronto, Portugal duplicava a sua presença na WWW em poucos dias. Partimos para o próximo projecto: paginazecas estáticas não tinham piada nenhuma. A força da WWW vinha com o CGI e a possibilidade de aceder a servidores com aplicações remotas num interface universal. Ainda hoje as pessoas falam em &#8220;navegar na Internet&#8221; quando na realidade o que estão a usar é um interface universal para aplicações remotas — coisas que no início dos anos 90 eram objecto de estudo nas universidades, mas ninguém acreditava que isso alguma vez saísse do meio académico.</p>
<p>Fizémos a primeira intranet em Portugal. Nessa altura ninguém sequer lhe chamava isso. Era um conjunto de aplicações diferentes — listas telefónicas, formulários de requisição de serviços, arquivo documental — para ser usado internamente no LNEC. A palavra &#8220;intranet&#8221; apareceu lá para 1999 ou coisa parecida; em 1994 já funcionava no LNEC, e por ironia do destino até era usada por alguns funcionários em <em>browsers</em> em modo de texto. Penso que o LNEC foi a primeira entidade em Portugal a ter telefonistas a receberem formação na Web para consultarem listas telefónicas e deixarem recados, por email, aos engenheiros.</p>
<p>Era evidente que o ambiente asfixiante da investigação estatal era demasiado pequeno para o Mário. Em finais de 1993 começou a achar que o que era preciso fazer em Portugal era criar um ISP. Em Junho de 1994, tinha um PC velho a correr Linux no escritório em casa dele, com dois modems ligados, e recebia emails e news para o domínio <em>esoterica.com</em>. Quando eu fazia manutenção remota do servidor, tinha de me ligar por um dos modems, desligar quem estivesse ligado ao outro, e ligar-me a Inglaterra para ir buscar o nosso feed de email e news. Era giro. Era também caro. Mas havia gente que nos pagava para ter acesso, a custo de uma chamada local, e em regime de <em>flat fee</em>, a email e news, fora das tiranias opressoras das universidades, laboratórios de investigação, e do caríssimo Portuguese Unix User Group, que basicamente servia o mesmo propósito. Portugal, por essa altura, tinha duas ligações permanentes de 64 Kbps para o resto do mundo; a gente, em casa do Mário, tínhamos 28Kbps. Era um princípio.</p>
<p>Em Abril do mesmo ano, assistiu-se a um congresso, patrocinado pela FCCN, sobre &#8220;Portugal e a Internet&#8221;, em que a famosa frase de Iriarte Esteves ficou para a história: &#8220;Nunca nos ligaremos a essas coisas dos americanos&#8221;. Em Outubro, o grupo PT volta atrás com a palavra e lança o serviço Internet via Telepac. Arrancou com email, telnet e FTP, e &#8220;WWW para breve&#8221; — o Mário até lhes oferece ajuda a configurar o servidor Web deles.</p>
<p>Depois, enfim, em Fevereiro de 1995, passou-se à constituição de uma empresa; depois, já a funcionar nos primeiros escritórios em Benfica — uma salinha alugada num centro de escritórios — a Esoterica ganha a primeira ligação permanente à Internet em Agosto de 1995. Um dia o Mário chega-me com um router Cisco por baixo o braço e olha para mim sorridente: &#8220;Toma. Configura-me lá isto que temos a linha dedicada a funcionar.&#8221; Deu-me meia hora para estabelecer a ligação. Não havia manuais. Que pesquisasse na Internet. Nunca tinha visto um router na vida. Mas ficou a funcionar. Muito bem, por sinal. Depois disso começamos seriamente a contratar pessoal. Alguns, como o Gonçalo Valverde, foram totalmente contratados via Internet — via IRC e email. O <a href="http://homepage.mac.com/plaureano/plshome/" target="_blank">Paulo Laureano</a>, veterano das guerras das BBS, junta-se à equipa também nessa altura — porque o Mário e o Paulo viam a fusão das antigas BBS na Internet, com a sua vasta comunidade de utilizadores e longa experiência, como algo de inevitável. E assim foi. A Internet é uma sucessão de &#8220;absorções&#8221; de tecnologias antigas por parte das mais recentes (<em>&#8220;Resistance is futile&#8230; you will be assimilated&#8221;</em>). Aqueles que se adaptaram a este <em>brave new world</em> cá continuam para contar a história.</p>
<p>Não sou o biógrafo oficial do Mário <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> por isso se calhar nem sequer contei a maior parte das coisas que ele considera importantes. Foi provavelmente a primeira pessoa a fazer o download do Doom via Internet (e eu a vítima do primeiro netgame de Doom contra ele&#8230;). Passou a vida toda a programar jogos de computador, e, que eu saiba, continua a fazê-lo. Passou por várias bandas rock — do bom e velho rock que nunca morre — e era um guitarrista razoavelmente bom, mesmo que passasse mais tempo à frente de teclados&#8230; de computador. Teve o seu próprio bar. Lançou uma empresa de desenvolvimento de aplicações web depois de ter saído da Esoterica. Trabalhou como consultor a ensinar empresas a reduzirem custos adoptando tecnologias &#8220;como deve ser&#8221; – no verdadeiro espírito do consultor, que ensina pessoas a reduzirem custos, não a <em>aumentá-los</em> com brincadeiras tecnológicas que não interessam a ninguém, e explicando-lhes processos diferentes de gestão empresarial. Foi um <em>early adopter</em> em Portugal do <em>guerrilla management</em>: a noção de que se juntam equipas de pessoas (com <em>backgrounds</em> possivelmente diferentes) para um projecto específico, com uma hierarquia bem <em>flat</em>, que depois se desfazem e reagrupam para o projecto seguinte.</p>
<p>Ateu tolerante (até se casou numa igreja católica&#8230; mas a parte forte do vídeo do casamento foi ter tocado, com algum esforço, numa banda rock agrupada no momento sob &#8220;desafio&#8221; do irmão), sempre irreverente, defendeu durante muito tempo o libertarianismo e o capitalismo <em>laissez-faire</em>, com uma breve passagem pelo transhumanismo e extropianismo, antes desses movimentos terem apanhado com uma certa dose de publicidade negativa. Passou mais de uma década a escrever vorazmente manifestos contra a política de despesas inúteis do Estado português em matéria de informática. Em 1994, dizia publicamente que o que este país precisava era de aproveitar a sua posição geoestratégica para se tornar líder das telecomunicações mundial, fazendo a ponte entre a Europa, a América, e a África, aproveitando o facto de termos fronteiras marítimas com os Estados Unidos (é verdade!), ilhas dispersas pelo meio do Atlântico, e estarmos a 400 km de Marrocos — situação invejável para passagem de cabos submarinos. A plateia ria-se muito quando ouvia essas coisas; mas se alguém o tivesse levado a sério, Portugal seria o <em>hub</em> principal da Internet europeia, e não cidades como Londres ou Amsterdão. E o investimento teria sido minúsculo.</p>
<p>Após um MBA, pregam-lhe uma partida — convidam-no para Presidente do ITIJ do Ministério da Justiça, justamente para colocar em prática essas ideias mirabolantes. Notoriamente apartidário, é escolhido por isso mesmo — foi a voz da razão durante estes anos todos e desconfiou dos grupos de interesse que apenas vêem no Estado português um manancial de dinheiro infindável, desperdiçado porque ninguém tem &#8220;coragem&#8221; para assumir posições de força. Dizia o velho ditado que &#8220;ninguém é despedido por comprar IBM&#8221;. É preciso muito mais do que coragem e tomates para expulsar a IBM (ou a Microsoft&#8230;) e substitui-la por soluções estupidamente mais baratas e incrivelmente mais eficientes, tanto em recursos humanos como disponibilidade. Não é fácil. Há demasiados interesses envolvidos, demasiados postos de trabalho a assegurar, demasiados favores a pagar. Mas num país pobre como o nosso, não se pode menosprezar a importância da substituição de soluções demasiado caras e luxuosas para um país como o nosso por outras que são muito melhores e mais eficazes. Se era preciso alguém com coragem para assumir esse papel, era o Mário. Muitos teriam recusado o desafio — de trabalhar 16 horas por dia a metade do salário pago a um consultor em topo de carreira, lutando contra todo o tipo de adversidades — mas o Mário não é assim. É leal. E tem um sentido de dever cívico, talvez um pouco estranho quando pensamos nele como um irreverente com os seus próprios ideais políticos e filosóficos, mas perfeitamente razoáveis quando nos lembramos da educação tradicional que levou <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Rebelde, o Mário é o nosso &#8220;Triunfo dos Geeks&#8221; nacional. Se vivesse em Inglaterra, seria uma espécie de herói britânico; se vivesse nos Estados Unidos (embora não sob um regime republicano&#8230;), seria neste momento uma super-estrela, uma <em>net celebrity</em>, e após sair das suas funções governamentais, provavelmente teria o seu próprio <em>talk show</em> convidando outras <em>net celebrities</em> e teria o blog mais lido do planeta. Infelizmente, teve o azar de nascer em Portugal, onde só têm notoriedade os criminosos, os jornalistas e analistas políticos, os políticos de topo, e os dirigentes de clubes de futebol.</p>
<p>Mas pelo menos não é esquecido pelos amigos, mesmo aqueles que têm as suas agendas electrónica pifadas e que não se lembram dos aniversários de ninguém (como eu <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':-P' class='wp-smiley' /> ) e se esquecem de telefonar. O Mário fez esta semana 39 anos. Nas suas palavras, vai agora repensar a sua vida e preparar a próxima etapa; pessoalmente aguardo com expectativa o que vai sair de uma das mentes mais brilhantes que tive o prazer de conhecer.</p>
<p>E fica aqui o link para o blog dele: <a href="http://mv.asterisco.pt/" target="_blank">http://mv.asterisco.pt/</a>. Bom, não é um blog como os outros, mas nada no Mário é convencional. Além disso, o pessoal que já tinha uma &#8220;página pessoal&#8221; em 1993 sinceramente já viu de tudo e leu de tudo. Mas até no blog dele há inovação&#8230; de formato e conteúdo.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/45/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/45/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/45/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=45&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Coordenar um Governo</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2007 13:53:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem tive oportunidade de rever alguns velhos episódios da famosa série &#8220;Yes, Prime Minister&#8221; que passaram na BBC em 1985 (e na RTP2 pouco tempo depois). Há um episódio, chamado &#8220;A Cortina de Fumo&#8221;, em que Jim Hacker faz uma série de manobras sinistras no seu próprio Gabinete, de forma a conseguir levar a sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://arundel.files.wordpress.com/2007/04/yes-prime-minister.jpg" alt="yes-prime-minister.jpg" align="left" />Ontem tive oportunidade de rever alguns velhos episódios da famosa série &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0086831/" target="_blank">Yes, Prime Minister</a>&#8221; que passaram na BBC em 1985 (e na RTP2 pouco tempo depois). Há um episódio, chamado &#8220;A Cortina de Fumo&#8221;, em que Jim Hacker faz uma série de manobras sinistras no seu próprio Gabinete, de forma a conseguir levar a sua avante (e é um dos raros episódios em que consegue!). A parte interessante é a apresentação do Gabinete como uma estrutura totalmente descoordenada e disfuncional, onde cada ministro tem a sua agenda política,  que nem sempe coincide com a do próprio primeiro ministro — todos parecem lutar internamente pelo seu quinhão de &#8220;poder&#8221;, apesar de serem do mesmo partido, e &#8220;facadas nas costas&#8221; uns dos outros é uma constante. No final, Hacker lá consegue que a Saúde, o Desporto, e as Finanças lhe aprovem um corte nos impostos, ameaçando impôr políticas anti-tabagísticas que, embora moralmente fossem correctas, financeiramente (em termos de arrecadação de impostos) seriam ruinosas — e usa essa &#8220;arma&#8221; para conseguir o que pretende.<span id="more-43"></span></p>
<p>Dizemos que é &#8220;apenas uma série de TV&#8221; — hilariante, decerto, e um pouco &#8220;datada&#8221;, com as referências obscuras ao período do final da Guerra Fria. (Humphrey: &#8220;Antes de ser PM, aceitava convites das grandes tabaqueiras para ir a eventos culturais e desportivos, e isso podia ser agora visto pelos <em>media</em> como estando a obter frutos da sua &#8216;hospitalidade&#8217; — e agora quer destruir as tabaqueiras?&#8221; Hacker: &#8220;Disparate! Ainda semana passada estive na embaixada soviética a tomar um <em>cocktail</em> —isso faz de mim um espião russo?!&#8221;)</p>
<p>No entanto, quando olhamos para a actualidade portuguesa, perguntamo-nos a nós próprios se o nosso Governo não funciona <em>realmente</em> assim. Recentemente, o nosso estimado Ministro do Turismo anunciou uma medida de financiamento de uma campanha de promoção de Portugal no estrangeiro, a uma escala nunca antes vista, presumindo-se que vá apelar aos turistas de &#8220;luxo&#8221; que irão encher os nossos campos de golfe (entre os melhores da Europa) e os nossos <em>resorts</em> de luxo. É, finalmente, uma medida há muito esperada, e faz todo o sentido.</p>
<p>Por outro lado, a Ministra da Cultura anuncia o despedimento do director do Teatro de S. Carlos, em Lisboa, por este se recusar a incorporar a Companhia Nacional de Bailado. Na cabeça da Srª Ministra, pensa assim: o Teatro de S. Carlos estava finalmente a dar lucro; a CNB continua a dar prejuízo; dado que a Gulbenkian cortou com o seu corpo de <em>ballet</em>, a CNB &#8220;absorveu&#8221; alguns dos seus directores criativos e coreógrafos, e provavelmente alguns dos bailarinos, logo, tornando-se financeiramente mais instável; portanto, toca a &#8220;recompensar&#8221; o Teatro de S. Carlos, passando a assumir as duas coisas — uma estrutura lucrativa com uma estrutura cheia de prejuízos, que depois se equilibrarão mais cedo ou mais tarde. O director do S. Carlos demitiu-se e foi prontamente substituído&#8230; continuando assim a saga do Ministério da Cultura, que em dois anos de Governo não apresenta uma única medida de jeito.</p>
<p>Entretanto, o Aeroporto da Ota abriu mais um capítulo de polémicas. Vamos ter aeroporto novo ou não? E a rede de combóios de alta velocidade? Só sei que quem ganha com isto são os consultores, que continuam a elaborar projectos atrás de projectos. O facto é que se &#8220;acabaram&#8221; as auto-estradas todas (ou quase) e não há mais para fazer nesse aspecto; tem de se encontrar algo para fazer, e o Mário Lino deve andar por lá desesperado por não encontrar um local onde meter a sua &#8220;marca&#8221;.</p>
<p>O que tem então o Turismo a ver com a Cultura e com as Obras Públicas? Bom, peguemos no exemplo do Jim Hacker, que misturava Saúde, Desporto e Finanças, e associava-os à indústria tabaqueira. À partida podemos ver a relação (óbvia) entre Saúde e tabaco, mas não parece haver associação qualquer com os restantes ministérios — até vermos o episódio e compreendermos que um Gabinete — em Portugal, o Conselho de Ministros — deve agir com <em>planos concertados</em> se quiser fazer as coisas bem feitas. O episódio é particularmente cínico, mas mostra para que é que realmente os membros do Gabinete estão lá sentados em reuniões de trabalho: <em>para coordenarem esforços conjuntos</em>.</p>
<p>Imaginemos que a promoção de Portugal como destino turístico no estrangeiro era, realmente, um esforço <em>conjunto</em>. Se vamos atraír &#8220;turistas de luxo&#8221; (neste país de <em>lixo</em> — mas muito bonito!), não basta a &#8220;promoção&#8221;, embora essa seja, efectivamente, a primeira coisa a fazer. &#8220;Turistas de luxo&#8221; não vão para a praia o dia todo para apanhar cancro de pele; depois de saírem dos campos de golfe, vão a eventos culturais. Querem ir à Ópera ou ao teatro. Querem assistir a espectáculos de luxo. Querem gastar dinheiro em casinos. Querem ver coisas únicas da cultura portuguesa, que faça distinguir o &#8220;campo de golfe português&#8221; de, por exemplo, um campo de golfe escocês ou no Botswana. Mas&#8230; a Cultura não pensa assim, pensa apenas em cortes de dinheiro e na forma de como encerrar o maior número de coisas de forma a que tenha dinheiro para pagar salários aos funcionários do Ministério.</p>
<p>Em vez disso, deveria estar a coordenar esforços — se se vai promover um campo de golfe em Sintra como destino turístico, então é preciso ter equipamentos culturais ao lado. É fazer a Festa da Música de Sintra ter impacto internacional. É colocar cartazes na rua. É distribuir agendas culturais nos campos de golfe. É ter verbas para autocarros que levem os turistas para onde se pode ter uma oferta cultural. É essa série de coisas que negligenciamos e que &#8220;custam dinheiro&#8221; e são &#8220;uma chatice de fazer&#8221;.</p>
<p>Mas é preciso mais. Se temos um campo de golfe no meio do Alentejo (no Alqueva?) como é que os turistas lá se deslocam? Com certeza que o combóio de alta velocidade só interessa nos trajectos Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid por questões de pura economia, mas e o resto das zonas turísticas do país? Que tal colocar algum alcatrão nas estradas, por exemplo? Nem todos os turistas têm os seus 4&#215;4 ou gostam de fazer <em>cross-country</em>, embora esse aspecto — ou o do ecoturismo — não deva ser negligenciado, já que é &#8220;moda&#8221;. Portanto, o que fazer com o turista no Alqueva que quer ir assistir a uma ópera ou um concerto de música barroca? Onde é a cidade mais próxima para isso? (A resposta provavelmente será: &#8220;algures em Espanha&#8221;)</p>
<p>Não é preciso ser-se um &#8220;génio iluminado&#8221; para se perceber que tudo isto junto se podia integrar numa iniciativa mais global (ou que <em>parecesse</em> mais global) a nível da mensagem que o nosso Primeiro Ministro devia passar aos portugueses. O problema das &#8220;medidas avulsas&#8221; é que dão a entender que, como no governo fictício de Jim Hacker, os ministros não falam uns com os outros e só se preocupam em angariar verbas para os seus ministérios.</p>
<p>Imagine-se então o &#8220;grande desígnio&#8221; de Sócrates para o Turismo (semelhante ao &#8220;Grande Desígnio&#8221; de Jim Hacker, que queria introduzir o recrutamento obrigatório para resolver os problemas das Forças Armadas, do desemprego e da educação ao mesmo tempo&#8230;). Anunciava uma série de medidas com vista a tornar Portugal como destino de eleição dos turistas endinheirados da Europa, América e Ásia. Apostava não só em financiar mais <em>resorts</em> e campos de golfe, mas infrastruturas viárias e ferroviárias para lá se poder chegar. Resolvia o problema do aeroporto com uma medida inteligente, não apenas jogando ao sabor da especulação imobiliária na Portela (que quer que o aeroporto desapareça para fazer um novo bairro de luxo) ou na Ota (que quer indemnizações por as &#8220;suas lindas casinhas construídas ano passado por tuta e meia terem de ser agora destruídas por ficarem no alinhamento da pista&#8221;). Se tivéssemos um primeiro ministro verdadeiramente corajoso, construía uma linha não de combóio de alta velocidade (que no fundo pouco mais rápidos são que os actuais Pendulares&#8230;) mas sim de <em>maglev</em>, que andam a 500 km/hora no solo e chegavam a Madrid em hora e meia (ou faziam Lisboa-Porto em 40 minutos). Era <em>bem</em> mais caro, mas a tecnologia existe na China, com quem nos damos tão bem. Não se fazia aeroporto coisíssima nenhuma, e em vez disso participava-se em sociedade com o Aeroporto e Barajas, em Madrid, onde os passageiros, por pouco mais tempo do que levam a chegar de Barajas a Madrid de táxi (por causa do trânsito!), podiam em vez disso chegar a Lisboa na Gare do Oriente! E quanto custaria isso? Provavelmente, o que custa um aeroporto novo. O <em>maglev</em> ainda por cima não é poluente. Energia eléctrica para o combóio-bala? Com o mercado ibérico de energia (IBEL) em funcionamento, podia ser alimentado pelas centrais nucleares espanholas, que não são poluentes, e descansar assim os ambientalistas em várias frentes: substituir o tráfego aéreo por tráfego ferroviário e usar formas de energia menos poluentes. E ainda por cima fazer os espanhóis ficarem mais satisfeitos. Colocar a Siemens (que é, hoje em dia, uma empresa mais portuguesa que alemã, o que é óptimo) a co-desenvolver o <em>maglev</em> português com tecnologia adaptada da chinesa. E depois estabelecer uma parceria ibérica para fazer estender a linha até Paris.</p>
<p>Já nem estamos a falar de Turismo nem de Cultura, pois não?&#8230; Projectos arrojados têm esta tendência: começam a encaixar-se uns nos outros e a estender-se tentacularmente a todos os níveis. Medidas avulsas, inversamente, desaparecem nos <em>media</em> sem se voltar a falar delas. Uma política &#8220;grandiosa&#8221; de alguém &#8220;com visão&#8221; – alguém que vem do país que criou o modelo da Expo &#8216;98 ou do Euro 2004, que, apesar de todas as críticas, foram &#8220;iniciativas globais&#8221; com um sucesso estrondoso e financeiramente sólidas (ganhou-se bem mais do que se investiu; catapultou o turismo português; deu-nos infraestruturas novas; reordenou o território em redes viárias e de acesso; fomentou a economia indirectamente, pelo facto de termos mais gente a trabalhar nestes projectos e mais turistas a consumir os nossos produtos — desde comida a &#8220;produtos culturais&#8221; — e ganhámos não só um dos melhores Oceanários da Europa como um número dos melhores estádios europeus).</p>
<p>Coloque-se esta visão toda como um objectivo para 2009. E o Sócrates a seguir anuncia os Jogos Olímpicos em 2016 como meta para mobilizar toda a nossa sociedade nesse sentido. Será muito mais fácil depois de termos as estruturas básicas para isso (hotéis, <em>resorts</em>, estádios, infrastruturas viárias e ferroviárias, e espaços culturais para os tempos livres&#8230;), e provavelmente até garantirá a reeleição do Sócrates, apesar de tudo&#8230;</p>
<p>Mas infelizmente parece que os nossos governos preferem, em vez disso, candidatar-se a fazerem parte de mais uns episódios do <em>Yes, Prime Minister</em>&#8230;</p>
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		<title>Arquitectura no Second Life&#8230; em português</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Mar 2007 11:29:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Jogos]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Univ. Católica já se começa a usar Second Life para as aulas de arquitectura&#8230; apesar de estarmos cinco anos atrasados em &#8220;levar a sério&#8221; um mundo virtual com 5 milhões de utilizadores em que se transaccionam um milhão de dólares por dia, e cuja programação global, feita pelos próprios utilizadores, tem 5 vezes mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Na Univ. Católica já se começa a usar <a href="http://secondlife.com/">Second Life</a> para as aulas de arquitectura&#8230; apesar de estarmos cinco anos atrasados em &#8220;levar a sério&#8221; um mundo virtual com 5 milhões de utilizadores em que se transaccionam um milhão de dólares por dia, e cuja programação global, feita pelos próprios utilizadores, tem 5 vezes mais linhas de código que a suite do Microsoft Office 2007.</p>
<p>Mas sim, só daqui por 5 anos é que vamos, com muita relutância, investir nisto, quando as subsidiárias das multinacionais começarem a &#8220;exigir&#8221; a sua utilização também em Portugal. Ou seja, quem entre vocês estiver a trabalhar na IBM, Sun, Microsoft, Autodesk, Cisco, Dell, Xerox ou Vodafone, preparem-se — um dia destes irão receber um mailzito com as instruções para como se ligar ao Second Life &#8220;corporativo&#8221; e começarem a assistir às sessões de formação, keynote speeches dos vossos CEOs, e reuniões de equipa <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> Talvez não recebam esse email amanhã, mas de certeza que o receberão &#8220;em breve&#8221;.</p>
<p>Entretanto, por cá são os pioneiros que <a href="http://www.arquitectura-ucp.com/forum/ShowPost.aspx?PostID=40">vão levando isto adiante</a>. Nota que estou a fazer batota, porque isto é organizado pelo <a href="http://bimania.blogspot.com/">meu primo Miki</a>, que tem mentalidade de pioneiro <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/42/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/42/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=42&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Que conteúdos em português?</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Feb 2007 09:57:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[A &#8216;net nasceu em inglês, e quando finalmente adoptou o português, fê-lo essencialmente do outro lado do Atlântico&#8230; porque por cá existe muito pouca coisas, e, pior que isso, muito pouca coisa de qualidade.
Para estudar este fenómeno dos conteúdos em português, a Universidade Católica está a promover um inquérito — fica aqui o link: http://diniscorreia.com/conteudospt/
 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A &#8216;net nasceu em inglês, e quando finalmente adoptou o português, fê-lo essencialmente do outro lado do Atlântico&#8230; porque por cá existe muito pouca coisas, e, pior que isso, muito pouca coisa de qualidade.</p>
<p>Para estudar este fenómeno dos conteúdos em português, a Universidade Católica está a promover um inquérito — fica aqui o link: <a href="http://diniscorreia.com/conteudospt/" target="_blank">http://diniscorreia.com/conteudospt/</a></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/arundel.wordpress.com/40/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/arundel.wordpress.com/40/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arundel.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arundel.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arundel.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arundel.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arundel.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arundel.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arundel.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arundel.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arundel.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arundel.wordpress.com/40/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arundel.wordpress.com&blog=489290&post=40&subd=arundel&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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