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	<title>Comentários em: &#8220;Não percebo nada de política&#8221;</title>
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	<description>Divagações insanas sobre Internet, política, cultura e religião, de quem devia ter mais juízo</description>
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		<title>Por: alt.prt.sc &#187; &#187; Episódio #02: Gravado na Apple TBStore</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-57</link>
		<dc:creator>alt.prt.sc &#187; &#187; Episódio #02: Gravado na Apple TBStore</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 12:06:17 +0000</pubDate>
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		<description>[...] - Dosbox - www.dosbox.com, Syndicate pelo Diogo Rodrigues. - Política e Blogues, pelo Luis Sequeira - Overflow de informação pela Mónica André e RSS peaking pelo Carlos Andrade - In the cloud, [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] &#8211; Dosbox &#8211; <a href="http://www.dosbox.com" rel="nofollow">http://www.dosbox.com</a>, Syndicate pelo Diogo Rodrigues. &#8211; Política e Blogues, pelo Luis Sequeira &#8211; Overflow de informação pela Mónica André e RSS peaking pelo Carlos Andrade &#8211; In the cloud, [...]</p>
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		<title>Por: phoenux</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-56</link>
		<dc:creator>phoenux</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Oct 2008 23:34:17 +0000</pubDate>
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		<description>Concordo com a visão que partilhaste para a educação e o que ela devia de ser. Apesar de já se começar a investir em cursos especializados que preparam e formam pessoas para o mercado do trabalho, nas empresas e principalmente no estado, estas qualificações não são convenientemente reconhecidas. É uma pena, porque muitos destes profissionais, após dois anos de formação intensiva e específica nas áreas de conhecimento que procuraram, estão a meu ver tecnicamente mais bem preparados do que muito licenciados com formações mais generalistas e académicas, por vezes distanciadas da realidade dos mercados de trabalho.


Relativamente à saúde, concordo com algumas coisas, apesar de ter algumas reservas. Por exemplo, um médico acompanhar um doente, apesar de ser uma ideia interessante penso que não é algo que seja possível. Para teres uma ideia, o hospital Santa Maria em Lisboa &quot;atende&quot; na urgência diariamente uma média de sete centenas de pessoas. Várias dezenas de pessoas entram com problemas graves que têm de ficar em observação/medicação durante várias horas, ou em recuperação durante vários dias. Consegues imaginar o número de médicos que seriam necessários para acompanhar este volume de doentes, caso este acompanhamento fosse personalizado? E depois temos de ter a noção que existem decisões que não devem ser tomadas por um médico de clínica geral (que como é óbvio, não sabe tudo), mas sim por um especialista que ao olhar para um exame específico pode detectar um problema que passaria totalmente ao lado de um médico sem formação específica. É como me dizerem que têm um problema de vírus no Windows, quando eu na realidade só sei trabalhar com Linux (ok, foi um mau exemplo, mas não trabalho com Windows à tanto tempo, que já começa a ser um bocado assim). 

Voltando ao tema da saúde, sinceramente não acredito que o &quot;consultor de gestão hospitalar&quot; que ouviste na rádio conheça assim tão bem a realidade que se vive nas urgências hospitalares em Portugal: neste momento o processo de triagem, iniciado quando um utente chega a uma urgência de um hospital, é baseado naquilo a que chamaram triagem de Manchester. Este processo inicia-se pouco minutos depois do utente dar entrada na urgência, onde um enfermeiro irá analisar os sintomas do (possível) paciente. Consoante os sintomas será atribuído ao paciente uma cor que vai do preto ao branco e que irão determinar o grau de urgência da situação. Para esta analise entram factores como se o doente vai a andar pelo próprio pé, tensão, níveis de oxigénio, discurso, inicio dos sintomas, etc. O enfermeiro analisa estes e outros factores, fazendo perguntas cujas respostas serão contextualmente inseridas no programa, criando um fluxograma que irá automaticamente atribuir uma cor ao paciente. Existem pessoas que pensam que se exagerarem nos sintomas, que isso fará alterar a cor, mas isto muito raramente acontece. Por exemplo se numa destas avaliações disserem que vos doi a cabeça às uns 15 dias, é muito provável que vos seja atribuída a cor azul, o que dará um tempo de espera de algumas horas (se aguentaram a dor de cabeça durante 15 dias, é quase certo que a aguentarão durante mais uma horas - é normal que nesta situação, uma fractura vos passe à frente). Se, como no exemplo do consultor, um doente chegar à urgência a queixar-se de pontadas no braço, acredito que a primeira coisa que um profissional minimamente competente irá perguntar é se caiu em algum lado. Se o doente disser que sim, ele irá perguntar-lhe como é que fez isso e se bateu em mais algum lado; se sim, onde e o pré-diagnóstico irá continuar. No entanto se o doente disser que não foi nenhuma queda e, a menos que as dores sejam incomportáveis, a situação não é para ser vista na urgência de um hospital. Neste caso o doente deve dirigir-se ao seu médico assistente e explicar a situação, que conhecendo os antecedentes (e análises) do paciente poderá inferir com mais certezas qual será a origem do problema. A menos que existam fortes indícios de compromisso vascular, numa urgência por mais moderna que seja, não têm como detectar rapidamente quais as origens de todos os problemas. Um coágulo possivelmente só se iria detectar com exames muito específicos que só são feitos em casos muito particulares. Possivelmente este doente iria morrer também, mesmo que fosse atendido num hospital particular, sem registo de antecedentes vasculares.

Agora vão-me perdoar a frieza da pergunta: agora imaginem que um utente ia queixar-se à urgência de um hospital com umas picadas no braço e os médicos, muito atenciosos &quot;encomendavam&quot; exames que iriam custar centenas de euros aos portugueses, só para que o doente ficasse mais descansado, quando na verdade era apenas um &quot;mau jeito&quot; que a pessoa deu quando mandou o comando da televisão contra a parede porque alguém marcou um golo ao Benfica... Sim, eu sei que muitos de vós compreenderam a dor do adepto, mas estariam dispostos a isto?!? Se responderam que sim, não se preocupem porque diariamente são gastos milhares de euros em exames desnecessários, porque um hipocondríaco acha que tem uma doença nova que ouviu na TVI. Se responderam que não, não se preocupem, pois pelo menos tinham poupado algum com o senhor que tinha morrido (desculpem, esta foi mazinha - mas eu apenas matei um exemplo...).

Mas os hospitais nem sempre funcionam mal... Pessoalmente não tenho grandes razões de queixa. Dando um exemplo relativamente recente, à uns meses um cão fez com que eu caísse num BTT e ficasse um bocado em mau estado. Quando cheguei ao hospital, ainda mexia os braços, mas quando expliquei o que tinha acontecido, triaram-me logo de amarelo; Achei estranho, mas 5 minutos depois, tinha praticamente perdido os movimentos em ambos os braços e aí percebi porque; Fracturei ambos os cotovelos nesse dia, mas apesar do azar, e por ser uma situação com alguma urgência, fiquei apenas 20 minutos no hospital. Em 20 minutos fui triado, visto pelo ortopedista, fiz dois raio-X, fui novamente visto pelo ortopedista que me deu as más notícias, juntamente com uma receita para medicamentos para as dores que entretanto me acompanharam durante vários dias. É importante dizer que não tinha nenhuma cunha no hospital e apenas disse a verdade sobre o que de facto se tinha passado. Possivelmente num hospital privado teriam-me dado mais miminhos, possivelmente com recurso a uma psicóloga, mas não acredito que o atendimento pudesse ser muito mais competente.

Será que o sistema público não poderia funcionar melhor? Sim, podia. A meu ver o primeiro passo para acabar com as filas de espera para as cirurgias nos hospitais públicos seria a separação dos profissionais do público do sector privado, isto é, nada:
&quot;
- Olhe, o seu caso é muito grave e pode morrer a qualquer momento...
...
- Se for para ser operado no público, isso deve demorar uns dois anos... 
- Mas tanto tempo! Assim morro até chegar a minha vez...
- Bem, temos sempre a possibilidade de fazer isso na minha clínica, por 10000€.
- Mas isso é muito dinheiro.
- O sr. é que sabe. Mas menos de dois anos isso não demora...
&quot;

Se estes médicos não pudessem trabalhar no privado, de certeza que iriam repensar a sua vida profissional. Podem pensar que eles sairiam todos do público, mas quando deixassem de puder angariar clientes nos hospitais e se vissem sem &quot;clientes&quot;, de certeza que repensariam a situação.

Além disso, como os médicos passariam mais tempo ao serviço público, talvez fosse possível implementar algo do tipo &quot;médico pessoal&quot; que acompanha-se o doente ao &quot;longo da sua estadia&quot;, embora nos hospitais grandes tenha alguma reservas, devido ao elevado número de pacientes que tende a aumentar.


Quanto à tua visão do governo e do seu papel na sociedade, gostei bastante da forma como expuseste as tuas ideias e sou obrigado a concordar com a maioria delas. Fizeste-me pensar nos meus defeitos enquanto português que critica algumas das medidas do estado, sem conseguir por vezes ver o que está por detrás dessas medidas. No entanto é-me extremamente complicado aceitar que um conjunto de políticos que ganha dez vezes mais do que eu, que tem as despesas todas pagas (por nós), que quando sair do seu cargo vai ter uma reforma estupidamente alta, possivelmente com um cargo numa grande empresa privada, me diga que tenho de apertar o cinto porque a vida está difícil, e porque a sociedade precisa de dinheiro. É muito difícil aceitar que esteja todos os meses a dar um quarto do meu ordenado ao estado (mais um quarto em praticamente todos os produtos que consumo) em impostos para um estado e me digam que não chega, que precisam de mais, quando eles não têm preocupações com dinheiro ao fim do mês, e que só o que eles gastam em assessores, motoristas, carros, etc, por mês, ultrapassa o que eu consigo ganhar em 10 anos. Revolta-me ter de contar os tostões todos os meses, para conseguir ter uma casa, um carro, pagar as contas, etc, e ver milhões de euros a serem mal gastos em tapetes para gabinetes que custam o que eu ganho num ano de trabalho (e que sou obrigado a devolver quase na totalidade em impostos e em despesas fundamentais). Não acho bem ser gasto dinheiro em contractos de manutenção para estradas (por exemplo o IC2), e deixarem-se as entradas chegar a um estado de destruição tal que arriscaste a perder a vida nelas, ou pagas dinheiro (e impostos) por uma autoestrada segura, cómoda e cara. Recuso-me a aceitar que um político que coloca os interesses de grandes grupos comerciais em primeiro lugar, remetendo para a sua insignificância o cidadão comum que lhe paga o ordenado como político, e possivelmente lhe pagará o ordenado quando este estiver num cargo administrativo nesse grupo, em bens de consumo. Se os políticos que estivessem no governo fossem pessoas sérias e honestas com o resto dos cidadãos, pagaríamos todos menos, ou pelo menos estaríamos mais contentes.


Resta-me deixar os parabéns pelo artigo... Muito bem escrito, muito real. Gostava que todos os Portugueses tivessem tempo e oportunidade para lerem este artigo. Seria uma possibilidade de se verem ao espelho e tentarem corrigir o que está mal. É o que eu tentarei fazer. Obrigado Luís.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com a visão que partilhaste para a educação e o que ela devia de ser. Apesar de já se começar a investir em cursos especializados que preparam e formam pessoas para o mercado do trabalho, nas empresas e principalmente no estado, estas qualificações não são convenientemente reconhecidas. É uma pena, porque muitos destes profissionais, após dois anos de formação intensiva e específica nas áreas de conhecimento que procuraram, estão a meu ver tecnicamente mais bem preparados do que muito licenciados com formações mais generalistas e académicas, por vezes distanciadas da realidade dos mercados de trabalho.</p>
<p>Relativamente à saúde, concordo com algumas coisas, apesar de ter algumas reservas. Por exemplo, um médico acompanhar um doente, apesar de ser uma ideia interessante penso que não é algo que seja possível. Para teres uma ideia, o hospital Santa Maria em Lisboa &#8220;atende&#8221; na urgência diariamente uma média de sete centenas de pessoas. Várias dezenas de pessoas entram com problemas graves que têm de ficar em observação/medicação durante várias horas, ou em recuperação durante vários dias. Consegues imaginar o número de médicos que seriam necessários para acompanhar este volume de doentes, caso este acompanhamento fosse personalizado? E depois temos de ter a noção que existem decisões que não devem ser tomadas por um médico de clínica geral (que como é óbvio, não sabe tudo), mas sim por um especialista que ao olhar para um exame específico pode detectar um problema que passaria totalmente ao lado de um médico sem formação específica. É como me dizerem que têm um problema de vírus no Windows, quando eu na realidade só sei trabalhar com Linux (ok, foi um mau exemplo, mas não trabalho com Windows à tanto tempo, que já começa a ser um bocado assim). </p>
<p>Voltando ao tema da saúde, sinceramente não acredito que o &#8220;consultor de gestão hospitalar&#8221; que ouviste na rádio conheça assim tão bem a realidade que se vive nas urgências hospitalares em Portugal: neste momento o processo de triagem, iniciado quando um utente chega a uma urgência de um hospital, é baseado naquilo a que chamaram triagem de Manchester. Este processo inicia-se pouco minutos depois do utente dar entrada na urgência, onde um enfermeiro irá analisar os sintomas do (possível) paciente. Consoante os sintomas será atribuído ao paciente uma cor que vai do preto ao branco e que irão determinar o grau de urgência da situação. Para esta analise entram factores como se o doente vai a andar pelo próprio pé, tensão, níveis de oxigénio, discurso, inicio dos sintomas, etc. O enfermeiro analisa estes e outros factores, fazendo perguntas cujas respostas serão contextualmente inseridas no programa, criando um fluxograma que irá automaticamente atribuir uma cor ao paciente. Existem pessoas que pensam que se exagerarem nos sintomas, que isso fará alterar a cor, mas isto muito raramente acontece. Por exemplo se numa destas avaliações disserem que vos doi a cabeça às uns 15 dias, é muito provável que vos seja atribuída a cor azul, o que dará um tempo de espera de algumas horas (se aguentaram a dor de cabeça durante 15 dias, é quase certo que a aguentarão durante mais uma horas &#8211; é normal que nesta situação, uma fractura vos passe à frente). Se, como no exemplo do consultor, um doente chegar à urgência a queixar-se de pontadas no braço, acredito que a primeira coisa que um profissional minimamente competente irá perguntar é se caiu em algum lado. Se o doente disser que sim, ele irá perguntar-lhe como é que fez isso e se bateu em mais algum lado; se sim, onde e o pré-diagnóstico irá continuar. No entanto se o doente disser que não foi nenhuma queda e, a menos que as dores sejam incomportáveis, a situação não é para ser vista na urgência de um hospital. Neste caso o doente deve dirigir-se ao seu médico assistente e explicar a situação, que conhecendo os antecedentes (e análises) do paciente poderá inferir com mais certezas qual será a origem do problema. A menos que existam fortes indícios de compromisso vascular, numa urgência por mais moderna que seja, não têm como detectar rapidamente quais as origens de todos os problemas. Um coágulo possivelmente só se iria detectar com exames muito específicos que só são feitos em casos muito particulares. Possivelmente este doente iria morrer também, mesmo que fosse atendido num hospital particular, sem registo de antecedentes vasculares.</p>
<p>Agora vão-me perdoar a frieza da pergunta: agora imaginem que um utente ia queixar-se à urgência de um hospital com umas picadas no braço e os médicos, muito atenciosos &#8220;encomendavam&#8221; exames que iriam custar centenas de euros aos portugueses, só para que o doente ficasse mais descansado, quando na verdade era apenas um &#8220;mau jeito&#8221; que a pessoa deu quando mandou o comando da televisão contra a parede porque alguém marcou um golo ao Benfica&#8230; Sim, eu sei que muitos de vós compreenderam a dor do adepto, mas estariam dispostos a isto?!? Se responderam que sim, não se preocupem porque diariamente são gastos milhares de euros em exames desnecessários, porque um hipocondríaco acha que tem uma doença nova que ouviu na TVI. Se responderam que não, não se preocupem, pois pelo menos tinham poupado algum com o senhor que tinha morrido (desculpem, esta foi mazinha &#8211; mas eu apenas matei um exemplo&#8230;).</p>
<p>Mas os hospitais nem sempre funcionam mal&#8230; Pessoalmente não tenho grandes razões de queixa. Dando um exemplo relativamente recente, à uns meses um cão fez com que eu caísse num BTT e ficasse um bocado em mau estado. Quando cheguei ao hospital, ainda mexia os braços, mas quando expliquei o que tinha acontecido, triaram-me logo de amarelo; Achei estranho, mas 5 minutos depois, tinha praticamente perdido os movimentos em ambos os braços e aí percebi porque; Fracturei ambos os cotovelos nesse dia, mas apesar do azar, e por ser uma situação com alguma urgência, fiquei apenas 20 minutos no hospital. Em 20 minutos fui triado, visto pelo ortopedista, fiz dois raio-X, fui novamente visto pelo ortopedista que me deu as más notícias, juntamente com uma receita para medicamentos para as dores que entretanto me acompanharam durante vários dias. É importante dizer que não tinha nenhuma cunha no hospital e apenas disse a verdade sobre o que de facto se tinha passado. Possivelmente num hospital privado teriam-me dado mais miminhos, possivelmente com recurso a uma psicóloga, mas não acredito que o atendimento pudesse ser muito mais competente.</p>
<p>Será que o sistema público não poderia funcionar melhor? Sim, podia. A meu ver o primeiro passo para acabar com as filas de espera para as cirurgias nos hospitais públicos seria a separação dos profissionais do público do sector privado, isto é, nada:<br />
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- Olhe, o seu caso é muito grave e pode morrer a qualquer momento&#8230;<br />
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- Se for para ser operado no público, isso deve demorar uns dois anos&#8230;<br />
- Mas tanto tempo! Assim morro até chegar a minha vez&#8230;<br />
- Bem, temos sempre a possibilidade de fazer isso na minha clínica, por 10000€.<br />
- Mas isso é muito dinheiro.<br />
- O sr. é que sabe. Mas menos de dois anos isso não demora&#8230;<br />
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<p>Se estes médicos não pudessem trabalhar no privado, de certeza que iriam repensar a sua vida profissional. Podem pensar que eles sairiam todos do público, mas quando deixassem de puder angariar clientes nos hospitais e se vissem sem &#8220;clientes&#8221;, de certeza que repensariam a situação.</p>
<p>Além disso, como os médicos passariam mais tempo ao serviço público, talvez fosse possível implementar algo do tipo &#8220;médico pessoal&#8221; que acompanha-se o doente ao &#8220;longo da sua estadia&#8221;, embora nos hospitais grandes tenha alguma reservas, devido ao elevado número de pacientes que tende a aumentar.</p>
<p>Quanto à tua visão do governo e do seu papel na sociedade, gostei bastante da forma como expuseste as tuas ideias e sou obrigado a concordar com a maioria delas. Fizeste-me pensar nos meus defeitos enquanto português que critica algumas das medidas do estado, sem conseguir por vezes ver o que está por detrás dessas medidas. No entanto é-me extremamente complicado aceitar que um conjunto de políticos que ganha dez vezes mais do que eu, que tem as despesas todas pagas (por nós), que quando sair do seu cargo vai ter uma reforma estupidamente alta, possivelmente com um cargo numa grande empresa privada, me diga que tenho de apertar o cinto porque a vida está difícil, e porque a sociedade precisa de dinheiro. É muito difícil aceitar que esteja todos os meses a dar um quarto do meu ordenado ao estado (mais um quarto em praticamente todos os produtos que consumo) em impostos para um estado e me digam que não chega, que precisam de mais, quando eles não têm preocupações com dinheiro ao fim do mês, e que só o que eles gastam em assessores, motoristas, carros, etc, por mês, ultrapassa o que eu consigo ganhar em 10 anos. Revolta-me ter de contar os tostões todos os meses, para conseguir ter uma casa, um carro, pagar as contas, etc, e ver milhões de euros a serem mal gastos em tapetes para gabinetes que custam o que eu ganho num ano de trabalho (e que sou obrigado a devolver quase na totalidade em impostos e em despesas fundamentais). Não acho bem ser gasto dinheiro em contractos de manutenção para estradas (por exemplo o IC2), e deixarem-se as entradas chegar a um estado de destruição tal que arriscaste a perder a vida nelas, ou pagas dinheiro (e impostos) por uma autoestrada segura, cómoda e cara. Recuso-me a aceitar que um político que coloca os interesses de grandes grupos comerciais em primeiro lugar, remetendo para a sua insignificância o cidadão comum que lhe paga o ordenado como político, e possivelmente lhe pagará o ordenado quando este estiver num cargo administrativo nesse grupo, em bens de consumo. Se os políticos que estivessem no governo fossem pessoas sérias e honestas com o resto dos cidadãos, pagaríamos todos menos, ou pelo menos estaríamos mais contentes.</p>
<p>Resta-me deixar os parabéns pelo artigo&#8230; Muito bem escrito, muito real. Gostava que todos os Portugueses tivessem tempo e oportunidade para lerem este artigo. Seria uma possibilidade de se verem ao espelho e tentarem corrigir o que está mal. É o que eu tentarei fazer. Obrigado Luís.</p>
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		<title>Por: phoenux</title>
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		<dc:creator>phoenux</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Oct 2008 23:32:04 +0000</pubDate>
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Relativamente à saúde, concordo com algumas coisas, apesar de ter algumas reservas. Por exemplo, um médico acompanhar um doente, apesar de ser uma ideia interessante penso que não é algo que seja possível. Para teres uma ideia, o hospital Santa Maria em Lisboa &quot;atende&quot; na urgência diariamente uma média de sete centenas de pessoas. Várias dezenas de pessoas entram com problemas graves que têm de ficar em observação/medicação durante várias horas, ou em recuperação durante vários dias. Consegues imaginar o número de médicos que seriam necessários para acompanhar este volume de doentes, caso este acompanhamento fosse personalizado? E depois temos de ter a noção que existem decisões que não devem ser tomadas por um médico de clínica geral (que como é óbvio, não sabe tudo), mas sim por um especialista que ao olhar para um exame específico pode detectar um problema que passaria totalmente ao lado de um médico sem formação específica. É como me dizerem que têm um problema de vírus no Windows, quando eu na realidade só sei trabalhar com Linux (ok, foi um mau exemplo, mas não trabalho com Windows à tanto tempo, que já começa a ser um bocado assim). 

Voltanto ao tema da saúde, sinceramente não acredito que o &quot;consultor de gestão hospitalar&quot; que ouviste na rádio conheça assim tão bem a realidade que se vive nas urgências hospitalares em Portugal: neste momento o processo de triagem, iniciado quando um utente chega a uma urgência de um hospital, é baseado naquilo a que chamaram triagem de manchester. Este processo inicia-se pouco minutos depois do utente dar entrada na urgência, onde um enfermeiro irá analisar os sintomas do (possível) paciente. Consoante os sintomas será atribuído ao paciente uma cor que vai do preto ao branco e que irão determinar o grau de urgẽncia da situação. Para esta analise entram factores como se o doente vai a andar pelo próprio pé, tensão, níveis de oxigénio, discurso, inicio dos sintomas, etc. O enfermeiro analisa estes e outros factores, fazendo perguntas cujas respostas serão contextualmente inseridas no programa, criando um fluxograma que irá automaticamente atribuir uma cor ao paciente. Existem pessoas que pensam que se exagerarem nos sintomas, que isso fará alterar a cor, mas isto muito raramente acontece. Por exemplo se numa destas avaliações disserem que vos doi a cabeça às uns 15 dias, é muito provável que vos seja atribuída a cor azul, o que dará um tempo de espera de algumas horas (se aguentaram a dor de cabeça durante 15 dias, é quase certo que a aguentarão durante mais uma horas - é normal que nesta situação, uma fractura vos passe à frente). Se, como no exemplo do consultor, um doente chegar à urgência a queixar-se de pontadas no braço, acredito que a primeira coisa que um profissional minimamente competente irá perguntar é se caiu em algum lado. Se o doente disser que sim, ele irá perguntar-lhe como é que fez isso e se bateu em mais algum lado; se sim, onde e o pré-diagnóstico irá continuar. No entanto se o doente disser que não foi nenhuma queda e, a menos que as dores sejam incomportáveis, a situação não é para ser vista na urgência de um hospital. Neste caso o doente deve dirigir-se ao seu médico assistente e explicar a situação, que conhecendo os antecedentes (e análises) do paciente poderá inferir com mais certezas qual será a origem do problema. A menos que existam fortes indicios de compromisso vascular, numa urgência por mais moderna que seja, não têm como detectar rapidamente quais as origens de todos os problemas. Um coágulo possivelmente só se iria detectar com exames muito específicos que só são feitos em casos muito particulares. Possivelmente este doente iria morrer também, mesmo que fosse atendido num hospital particular, sem registo de antecedentes vasculares.

Agora vão-me perdoar a frieza da pergunta: agora imaginem que um utente ia queixar-se à urgência de um hospital com umas picadas no braço e os médicos, muito atentiocosos &quot;encomendavam&quot; exames que iriam custar centenas de euros aos portugueses, só para que o doente ficasse mais descansado, quando na verdade era apenas um &quot;mau jeito&quot; que a pessoa deu quando mandou o comando da televisão contra a parede porque alguém marcou um golo ao Benfica... Sim, eu sei que muitos de vós compreenderam a dor do adepto, mas estariam dispostos a isto?!? Se responderam que sim, não se preocupem porque diaramente são gastos milhares de euros em exames desnecessários, porque um hipocondriaco acha que tem uma doença nova que ouviu na TVI. Se responderam que não, não se preocupem, pois pelo menos tinham poupado algum com o senhor que tinha morrido (desculpem, esta foi mazinha - mas eu apenas matei um exemplo...).

Mas os hospitais nem sempre funcionam mal... Pessoalmente não tenho grandes razões de queixa. Dando um exemplo relativamente recente, à uns meses um cão fez com que eu caísse num BTT e ficasse um bocado em mau estado. Quando cheguei ao hospital, ainda mexia os braços, mas quando expliquei o que tinha acontecido, triaram-me logo de amarelo; Achei estranho, mas 5 minutos depois, tinha praticamente perdido os movimentos em ambos os braços e aí percebi porque; Fracturei ambos os cotovelos nesse dia, mas apesar do azar, e por ser uma situação com alguma urgência, fiquei apenas 20 minutos no hospital. Em 20 minutos fui triado, visto pelo ortopedista, fiz dois raio-X, fui novamente visto pelo ortopedista que me deu as más notícias, juntamente com uma receita para medicamentos para as dores que entretanto me acompanharam durante vários dias. É importante dizer que não tinha nenhuma cunha no hospital e apenas disse a verdade sobre o que de facto se tinha passado. Possivelmente num hospital privado teriam-me dado mais miminhos, possivelmente com recurso a uma psicologa, mas não acredito que o atendimento pudesse ser muito mais competente.

Será que o sistema público não poderia funcionar melhor? Sim, podia. A meu ver o primero passo para acabar com as filas de espera para as cirurgias nos hospitais públicos seria a separação dos profissionais do público do sector privado, isto é, nada:
&quot;
- Olhe, o seu caso é muito grave e pode morrer a qualquer momento...
...
- Se for para ser operado no público, isso deve demorar uns dois anos... 
- Mas tanto tempo! Assim morro até chegar a minha vez...
- Bem, temos sempre a possibilidade de fazer isso na minha clínica, por 10000€.
- Mas isso é muito dinheiro.
- O sr. é que sabe. Mas menos de dois anos isso não demora...
&quot;

Se estes médicos não pudessem trabalhar no privado, de certeza que iriam repensar a sua vida profissional. Podem pensar que eles sairiam todos do público, mas quando deixassem de puder angariar clientes nos hospitais e se vissem sem &quot;clientes&quot;, de certeza que repensariam a situação.

Além disso, como os médicos passariam mais tempo ao serviço público, talvez fosse possível implementar algo do tipo &quot;médico pessoal&quot; que acompanha-se o doente ao &quot;longo da sua estadia&quot;, embora nos hospitais grandes tenha alguma reservas, devido ao elevado número de pacientes que tende a aumentar.


Quanto à tua visão do governo e do seu papel na sociedade, gostei bastante da forma como expuseste as tuas ideias e sou obrigado a concordar com a maioria delas. Fizeste-me pensar nos meus defeitos enquanto português que critica algumas das medidas do estado, sem conseguir por vezes ver o que está por detrás dessas medidas. No entanto é-me extremamente complicado aceitar que um conjunto de políticos que ganha dez vezes mais do que eu, que tem as despesas todas pagas (por nós), que quando sair do seu cargo vai ter uma reforma estupidamente alta, possivelmente com um cargo numa grande empresa privada, me diga que tenho de apertar o cinto porque a vida está dificil, e porque a sociedade precisa de dinheiro. É muito díficil aceitar que esteja todos os meses a dar um quarto do meu ordenado ao estado (mais um quarto em praticamente todos os produtos que consumo) em impostos para um estado e me digam que não chega, que precisam de mais, quando eles não têm preocupações com dinheiro ao fim do mês, e que só o que eles gastam em acessores, motoristas, carros, etc, por mês, ultrapassa o que eu consigo ganhar em 10 anos. Revolta-me ter de contar os totões todos os meses, para conseguir ter uma casa, um carro, pagar as contas, etc, e ver milhões de euros a serem mal gastos em tapetes para gabinetes que custam o que eu ganho num ano de trabalho (e que sou obrigado a devolver quase na totalidade em impostos e em despesas fundamentais). Não acho bem ser gasto dinheiro em contractos de manutenção para estradas (por exemplo o IC2), e deixarem-se as entradas chegar a um estado de destruição tal que arriscaste a perder a vida nelas, ou pagas dinheiro (e impostos) por uma autoestrada segura, cómoda e cara. Recuso-me a aceitar que um político que coloca os interesses de grandes grupos comerciais em primeiro lugar, remetendo para a sua insignificância o cidadão comum que lhe paga o ordenado como político, e possivelmente lhe pagará o ordenado quando este estiver num cargo administrativo nesse grupo, em bens de consumo. Se os políticos que estivessem no governo fossem pessoas sérias e honestas com o resto dos cidadãos, pagaríamos todos menos, ou pelo menos estaríamos mais contentes.


Resta-me deixar os parabéns pelo artigo... Muito bem escrito, muito real. Gostava que todos os Portugueses tivessem tempo e oportunidade para lerem este artigo. Seria uma possibilidade de se verem ao espelho e tentarem corrigir o que está mal. É o que eu tentarei fazer. Obrigado Luís.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com a visão que partilhaste para a educação e o que ela devia de ser. Apesar de já se começar a investir em cursos especializados que preparam e formam pessoas para o mercado do trabalho, nas empresas e principalmente no estado, estas qualificações não são convenientemente reconhecidas. É uma pena, porque muitos destes profissionais, após dois anos de formação intensiva e específica nas àreas de conhecimento que procuraram, estão a meu ver tecnicamente mais bem preparados do que muito licenciados com formações mais generalistas e académicas, por vezes distânciadas da realidade dos mercados de trabalho.</p>
<p>Relativamente à saúde, concordo com algumas coisas, apesar de ter algumas reservas. Por exemplo, um médico acompanhar um doente, apesar de ser uma ideia interessante penso que não é algo que seja possível. Para teres uma ideia, o hospital Santa Maria em Lisboa &#8220;atende&#8221; na urgência diariamente uma média de sete centenas de pessoas. Várias dezenas de pessoas entram com problemas graves que têm de ficar em observação/medicação durante várias horas, ou em recuperação durante vários dias. Consegues imaginar o número de médicos que seriam necessários para acompanhar este volume de doentes, caso este acompanhamento fosse personalizado? E depois temos de ter a noção que existem decisões que não devem ser tomadas por um médico de clínica geral (que como é óbvio, não sabe tudo), mas sim por um especialista que ao olhar para um exame específico pode detectar um problema que passaria totalmente ao lado de um médico sem formação específica. É como me dizerem que têm um problema de vírus no Windows, quando eu na realidade só sei trabalhar com Linux (ok, foi um mau exemplo, mas não trabalho com Windows à tanto tempo, que já começa a ser um bocado assim). </p>
<p>Voltanto ao tema da saúde, sinceramente não acredito que o &#8220;consultor de gestão hospitalar&#8221; que ouviste na rádio conheça assim tão bem a realidade que se vive nas urgências hospitalares em Portugal: neste momento o processo de triagem, iniciado quando um utente chega a uma urgência de um hospital, é baseado naquilo a que chamaram triagem de manchester. Este processo inicia-se pouco minutos depois do utente dar entrada na urgência, onde um enfermeiro irá analisar os sintomas do (possível) paciente. Consoante os sintomas será atribuído ao paciente uma cor que vai do preto ao branco e que irão determinar o grau de urgẽncia da situação. Para esta analise entram factores como se o doente vai a andar pelo próprio pé, tensão, níveis de oxigénio, discurso, inicio dos sintomas, etc. O enfermeiro analisa estes e outros factores, fazendo perguntas cujas respostas serão contextualmente inseridas no programa, criando um fluxograma que irá automaticamente atribuir uma cor ao paciente. Existem pessoas que pensam que se exagerarem nos sintomas, que isso fará alterar a cor, mas isto muito raramente acontece. Por exemplo se numa destas avaliações disserem que vos doi a cabeça às uns 15 dias, é muito provável que vos seja atribuída a cor azul, o que dará um tempo de espera de algumas horas (se aguentaram a dor de cabeça durante 15 dias, é quase certo que a aguentarão durante mais uma horas &#8211; é normal que nesta situação, uma fractura vos passe à frente). Se, como no exemplo do consultor, um doente chegar à urgência a queixar-se de pontadas no braço, acredito que a primeira coisa que um profissional minimamente competente irá perguntar é se caiu em algum lado. Se o doente disser que sim, ele irá perguntar-lhe como é que fez isso e se bateu em mais algum lado; se sim, onde e o pré-diagnóstico irá continuar. No entanto se o doente disser que não foi nenhuma queda e, a menos que as dores sejam incomportáveis, a situação não é para ser vista na urgência de um hospital. Neste caso o doente deve dirigir-se ao seu médico assistente e explicar a situação, que conhecendo os antecedentes (e análises) do paciente poderá inferir com mais certezas qual será a origem do problema. A menos que existam fortes indicios de compromisso vascular, numa urgência por mais moderna que seja, não têm como detectar rapidamente quais as origens de todos os problemas. Um coágulo possivelmente só se iria detectar com exames muito específicos que só são feitos em casos muito particulares. Possivelmente este doente iria morrer também, mesmo que fosse atendido num hospital particular, sem registo de antecedentes vasculares.</p>
<p>Agora vão-me perdoar a frieza da pergunta: agora imaginem que um utente ia queixar-se à urgência de um hospital com umas picadas no braço e os médicos, muito atentiocosos &#8220;encomendavam&#8221; exames que iriam custar centenas de euros aos portugueses, só para que o doente ficasse mais descansado, quando na verdade era apenas um &#8220;mau jeito&#8221; que a pessoa deu quando mandou o comando da televisão contra a parede porque alguém marcou um golo ao Benfica&#8230; Sim, eu sei que muitos de vós compreenderam a dor do adepto, mas estariam dispostos a isto?!? Se responderam que sim, não se preocupem porque diaramente são gastos milhares de euros em exames desnecessários, porque um hipocondriaco acha que tem uma doença nova que ouviu na TVI. Se responderam que não, não se preocupem, pois pelo menos tinham poupado algum com o senhor que tinha morrido (desculpem, esta foi mazinha &#8211; mas eu apenas matei um exemplo&#8230;).</p>
<p>Mas os hospitais nem sempre funcionam mal&#8230; Pessoalmente não tenho grandes razões de queixa. Dando um exemplo relativamente recente, à uns meses um cão fez com que eu caísse num BTT e ficasse um bocado em mau estado. Quando cheguei ao hospital, ainda mexia os braços, mas quando expliquei o que tinha acontecido, triaram-me logo de amarelo; Achei estranho, mas 5 minutos depois, tinha praticamente perdido os movimentos em ambos os braços e aí percebi porque; Fracturei ambos os cotovelos nesse dia, mas apesar do azar, e por ser uma situação com alguma urgência, fiquei apenas 20 minutos no hospital. Em 20 minutos fui triado, visto pelo ortopedista, fiz dois raio-X, fui novamente visto pelo ortopedista que me deu as más notícias, juntamente com uma receita para medicamentos para as dores que entretanto me acompanharam durante vários dias. É importante dizer que não tinha nenhuma cunha no hospital e apenas disse a verdade sobre o que de facto se tinha passado. Possivelmente num hospital privado teriam-me dado mais miminhos, possivelmente com recurso a uma psicologa, mas não acredito que o atendimento pudesse ser muito mais competente.</p>
<p>Será que o sistema público não poderia funcionar melhor? Sim, podia. A meu ver o primero passo para acabar com as filas de espera para as cirurgias nos hospitais públicos seria a separação dos profissionais do público do sector privado, isto é, nada:<br />
&#8221;<br />
- Olhe, o seu caso é muito grave e pode morrer a qualquer momento&#8230;<br />
&#8230;<br />
- Se for para ser operado no público, isso deve demorar uns dois anos&#8230;<br />
- Mas tanto tempo! Assim morro até chegar a minha vez&#8230;<br />
- Bem, temos sempre a possibilidade de fazer isso na minha clínica, por 10000€.<br />
- Mas isso é muito dinheiro.<br />
- O sr. é que sabe. Mas menos de dois anos isso não demora&#8230;<br />
&#8221;</p>
<p>Se estes médicos não pudessem trabalhar no privado, de certeza que iriam repensar a sua vida profissional. Podem pensar que eles sairiam todos do público, mas quando deixassem de puder angariar clientes nos hospitais e se vissem sem &#8220;clientes&#8221;, de certeza que repensariam a situação.</p>
<p>Além disso, como os médicos passariam mais tempo ao serviço público, talvez fosse possível implementar algo do tipo &#8220;médico pessoal&#8221; que acompanha-se o doente ao &#8220;longo da sua estadia&#8221;, embora nos hospitais grandes tenha alguma reservas, devido ao elevado número de pacientes que tende a aumentar.</p>
<p>Quanto à tua visão do governo e do seu papel na sociedade, gostei bastante da forma como expuseste as tuas ideias e sou obrigado a concordar com a maioria delas. Fizeste-me pensar nos meus defeitos enquanto português que critica algumas das medidas do estado, sem conseguir por vezes ver o que está por detrás dessas medidas. No entanto é-me extremamente complicado aceitar que um conjunto de políticos que ganha dez vezes mais do que eu, que tem as despesas todas pagas (por nós), que quando sair do seu cargo vai ter uma reforma estupidamente alta, possivelmente com um cargo numa grande empresa privada, me diga que tenho de apertar o cinto porque a vida está dificil, e porque a sociedade precisa de dinheiro. É muito díficil aceitar que esteja todos os meses a dar um quarto do meu ordenado ao estado (mais um quarto em praticamente todos os produtos que consumo) em impostos para um estado e me digam que não chega, que precisam de mais, quando eles não têm preocupações com dinheiro ao fim do mês, e que só o que eles gastam em acessores, motoristas, carros, etc, por mês, ultrapassa o que eu consigo ganhar em 10 anos. Revolta-me ter de contar os totões todos os meses, para conseguir ter uma casa, um carro, pagar as contas, etc, e ver milhões de euros a serem mal gastos em tapetes para gabinetes que custam o que eu ganho num ano de trabalho (e que sou obrigado a devolver quase na totalidade em impostos e em despesas fundamentais). Não acho bem ser gasto dinheiro em contractos de manutenção para estradas (por exemplo o IC2), e deixarem-se as entradas chegar a um estado de destruição tal que arriscaste a perder a vida nelas, ou pagas dinheiro (e impostos) por uma autoestrada segura, cómoda e cara. Recuso-me a aceitar que um político que coloca os interesses de grandes grupos comerciais em primeiro lugar, remetendo para a sua insignificância o cidadão comum que lhe paga o ordenado como político, e possivelmente lhe pagará o ordenado quando este estiver num cargo administrativo nesse grupo, em bens de consumo. Se os políticos que estivessem no governo fossem pessoas sérias e honestas com o resto dos cidadãos, pagaríamos todos menos, ou pelo menos estaríamos mais contentes.</p>
<p>Resta-me deixar os parabéns pelo artigo&#8230; Muito bem escrito, muito real. Gostava que todos os Portugueses tivessem tempo e oportunidade para lerem este artigo. Seria uma possibilidade de se verem ao espelho e tentarem corrigir o que está mal. É o que eu tentarei fazer. Obrigado Luís.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: 111graus - comunicação eclética e cultural &#187; De olhos postos no futuro do país</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-54</link>
		<dc:creator>111graus - comunicação eclética e cultural &#187; De olhos postos no futuro do país</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Oct 2008 22:16:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://arundel.wordpress.com/?p=58#comment-54</guid>
		<description>[...] uma boa parte deste Domingo para pensar e principalmente ler o excelente artigo de opinião que o Luís Sequeira escreveu no seu blog. Uma leitura bastante demorada mas que [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] uma boa parte deste Domingo para pensar e principalmente ler o excelente artigo de opinião que o Luís Sequeira escreveu no seu blog. Uma leitura bastante demorada mas que [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Nuno Mota</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-53</link>
		<dc:creator>Nuno Mota</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2008 11:18:36 +0000</pubDate>
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		<description>Muito bom....isto pode ser a base para alguma coisa.

Há muitas pessoas que pensam assim, mas isoladas e dispersas.

Talvez tenha chegado a hora...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom&#8230;.isto pode ser a base para alguma coisa.</p>
<p>Há muitas pessoas que pensam assim, mas isoladas e dispersas.</p>
<p>Talvez tenha chegado a hora&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Um artigo que vale a pena ler&#8230; &#171; ByteZONE</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-52</link>
		<dc:creator>Um artigo que vale a pena ler&#8230; &#171; ByteZONE</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2008 00:42:04 +0000</pubDate>
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		<description>[...] 25, 2008 às 12:41 am &#183; Arquivado sob Geral &#183;Tagged Politica   Não percebo nada de política, um artigo do Luís Miguel Sequeira, que retrata o estado actual e possivelmente futuro do nosso [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] 25, 2008 às 12:41 am &#183; Arquivado sob Geral &#183;Tagged Politica   Não percebo nada de política, um artigo do Luís Miguel Sequeira, que retrata o estado actual e possivelmente futuro do nosso [...]</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Ricardo</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-51</link>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2008 00:26:14 +0000</pubDate>
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		<description>Oh pá... Um texto simplesmente brutal, acho que nunca &quot;perdi&quot; tanto tempo ler um artigo. Para um pessoa (me) que gosta de artigo curtos e directos, palha não obrigado, conseguiste cativar a minha atenção e por isso dou-te já os meus parabéns.

A meu ver conseguiste expor de uma forma brutal e ao mesmo tempo simples o ponto de situação do pais neste momento. Sou gajo para recomendar esta leitura a determinadas pessoas, que tendem a teimar comigo quando discuto com elas determinadas situações expostas neste artigo. Gostei particularmente da parte dos sindicatos e dos aumentos dos 6%... Simples, eficaz e sem tretas pelo meio. 

P.S - Devias fazer um update a dizer que o texto deve ser lido com uma caneca de café ao lado ;) é que 30 min pa ler isto com calma é obra... Mais uma vez os meus parabéns...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oh pá&#8230; Um texto simplesmente brutal, acho que nunca &#8220;perdi&#8221; tanto tempo ler um artigo. Para um pessoa (me) que gosta de artigo curtos e directos, palha não obrigado, conseguiste cativar a minha atenção e por isso dou-te já os meus parabéns.</p>
<p>A meu ver conseguiste expor de uma forma brutal e ao mesmo tempo simples o ponto de situação do pais neste momento. Sou gajo para recomendar esta leitura a determinadas pessoas, que tendem a teimar comigo quando discuto com elas determinadas situações expostas neste artigo. Gostei particularmente da parte dos sindicatos e dos aumentos dos 6%&#8230; Simples, eficaz e sem tretas pelo meio. </p>
<p>P.S &#8211; Devias fazer um update a dizer que o texto deve ser lido com uma caneca de café ao lado <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  é que 30 min pa ler isto com calma é obra&#8230; Mais uma vez os meus parabéns&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: O nosso Portugal @ Stat(ing) My Mind&#8230;</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-50</link>
		<dc:creator>O nosso Portugal @ Stat(ing) My Mind&#8230;</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 21:08:27 +0000</pubDate>
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		<description>[...] O nosso Portugal é aquilo que o Luís Miguel Sequeira retrata com uma brutalidade raramente vista no seu artigo intitulado &#8220;Não percebo nada de política&#8221;. [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] O nosso Portugal é aquilo que o Luís Miguel Sequeira retrata com uma brutalidade raramente vista no seu artigo intitulado &#8220;Não percebo nada de política&#8221;. [...]</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Dextro</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-49</link>
		<dc:creator>Dextro</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 20:57:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://arundel.wordpress.com/?p=58#comment-49</guid>
		<description>Aplausos... Nunca vi um retrato tão completo e tão real do estado actual do nosso país.

Vou dizer isto muito francamente: se escrevesses um livro sobre o estado actual do país com a qualidade que escreveste este post eu lia-o.

Sinceramente: aplausos, não o diria melhor.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Aplausos&#8230; Nunca vi um retrato tão completo e tão real do estado actual do nosso país.</p>
<p>Vou dizer isto muito francamente: se escrevesses um livro sobre o estado actual do país com a qualidade que escreveste este post eu lia-o.</p>
<p>Sinceramente: aplausos, não o diria melhor.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Luís Sequeira</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/10/24/nao-percebo-nada-de-politica/#comment-48</link>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 18:33:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://arundel.wordpress.com/?p=58#comment-48</guid>
		<description>Haverá próximo passo? Como o Paulo disse e muito bem, não podemos &quot;deixar de ser portugueses&quot;.

Na minha modesta opinião, a democracia funciona melhor quando os cidadãos têm consciência cívica e opiniões informadas (não confundir com &quot;opiniões formadas&quot;). Por cá não temos consciência cívica nenhuma e criá-la leva gerações... e começa nas escolas. Opiniões formadas, isso sim, temos muitas!... Informadas é que temos poucas. Mais uma vez, é &quot;educação cívica&quot;. Mas não estão a ver um Governo a explicar aos cidadãos porque é que tomam as decisões que tomam. A noção de um &quot;Governo educativo&quot; — um que explica em pormenor as decisões que toma — é visto como &quot;paternalista&quot; e &quot;arrogante&quot;. Não vejo muito bem como isso possa funcionar.

Uma vez tendo estes dois pilares — consciência cívica e opinião formada — passa-se ao passo seguinte: votar em consciência. Votar naquilo em que o país precisa, não naquilo em que gostamos. E isso é muito, muito difícil — tão difícil como dizer a um adepto do Sporting que deve a partir de agora apoiar o Benfica.

Da minha parte, a única coisa que tenho para oferecer é uma &quot;aprendizagem de democracia&quot; feita em ambientes simulados. Quem já participou em associações sem fins lucrativos, por exemplo, já passou por experiências democráticas em ponto muito pequeno. Mas é uma ajuda perceber porque é que uma direcção de uma associação não pode fazer o que lhe apetece porque a assembleia geral de sócios pode &quot;chumbar&quot; a proposta ou demitir a direcção. Agora nem toda a gente tem paciência ou tempo para participar neste tipo de actividades, de &quot;exercício de democracia&quot;, para compreender como é que as coisas funcionam.

Não é por acaso que nos países onde a participação democrática é mais forte são também aqueles onde a sociedade cívil é incrivelmente activa — uma larga percentagem da população participa em estruturas democráticas, e acaba por ficar com umas luzes sobre como funcionam estes processos.

Mas compreender os processos — no caso português — não chega. Vontade de mudança até não falta, especialmente na geração de políticos mais novos. O problema é que essa &quot;vontade de mudança&quot; não só não tem o apoio popular (ou seja, as pessoas não votam), como, pior que isso, vai esbarrar no &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt;. Mudar drasticamente os hospitais públicos significa enfrentar a ira da Ordem dos Médicos, e ir contra esta significa se calhar nunca mais conseguir obter uma consulta em Portugal :) Lutar contra sindicatos, ordens, e os &quot;poderes estabelecidos&quot; é quase impossível. Veja-se o caso do Santana Lopes, que tinha planos de aumentar impostos ao sector financeiro. Queria ir aos 12%, faseados, passando de 3 a 6 a 9. Quando chegou aos 6%, puseram-no a andar daqui para fora, antes que causasse mais &quot;danos&quot;. Quatro anos mais tarde, a pretexto da &quot;crise financeira mundial&quot;, já se vão baixar os impostos ao sector financeiro de novo — conseguindo assim fazer &quot;passar&quot; um pacote de medidas de apoio. Mas a contrapartida foi libertar a banca uma vez mais do jugo dos impostos.

Conclusão: para se estabelecer uma política de mudança, é preciso imensa coragem política, e um desapego ao poder — mudar implica incomodar imensa gente, perder o apoio financeiro, e a seguir o apoio dos eleitores... como o Sócrates está a aprender :)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Haverá próximo passo? Como o Paulo disse e muito bem, não podemos &#8220;deixar de ser portugueses&#8221;.</p>
<p>Na minha modesta opinião, a democracia funciona melhor quando os cidadãos têm consciência cívica e opiniões informadas (não confundir com &#8220;opiniões formadas&#8221;). Por cá não temos consciência cívica nenhuma e criá-la leva gerações&#8230; e começa nas escolas. Opiniões formadas, isso sim, temos muitas!&#8230; Informadas é que temos poucas. Mais uma vez, é &#8220;educação cívica&#8221;. Mas não estão a ver um Governo a explicar aos cidadãos porque é que tomam as decisões que tomam. A noção de um &#8220;Governo educativo&#8221; — um que explica em pormenor as decisões que toma — é visto como &#8220;paternalista&#8221; e &#8220;arrogante&#8221;. Não vejo muito bem como isso possa funcionar.</p>
<p>Uma vez tendo estes dois pilares — consciência cívica e opinião formada — passa-se ao passo seguinte: votar em consciência. Votar naquilo em que o país precisa, não naquilo em que gostamos. E isso é muito, muito difícil — tão difícil como dizer a um adepto do Sporting que deve a partir de agora apoiar o Benfica.</p>
<p>Da minha parte, a única coisa que tenho para oferecer é uma &#8220;aprendizagem de democracia&#8221; feita em ambientes simulados. Quem já participou em associações sem fins lucrativos, por exemplo, já passou por experiências democráticas em ponto muito pequeno. Mas é uma ajuda perceber porque é que uma direcção de uma associação não pode fazer o que lhe apetece porque a assembleia geral de sócios pode &#8220;chumbar&#8221; a proposta ou demitir a direcção. Agora nem toda a gente tem paciência ou tempo para participar neste tipo de actividades, de &#8220;exercício de democracia&#8221;, para compreender como é que as coisas funcionam.</p>
<p>Não é por acaso que nos países onde a participação democrática é mais forte são também aqueles onde a sociedade cívil é incrivelmente activa — uma larga percentagem da população participa em estruturas democráticas, e acaba por ficar com umas luzes sobre como funcionam estes processos.</p>
<p>Mas compreender os processos — no caso português — não chega. Vontade de mudança até não falta, especialmente na geração de políticos mais novos. O problema é que essa &#8220;vontade de mudança&#8221; não só não tem o apoio popular (ou seja, as pessoas não votam), como, pior que isso, vai esbarrar no <i>status quo</i>. Mudar drasticamente os hospitais públicos significa enfrentar a ira da Ordem dos Médicos, e ir contra esta significa se calhar nunca mais conseguir obter uma consulta em Portugal <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  Lutar contra sindicatos, ordens, e os &#8220;poderes estabelecidos&#8221; é quase impossível. Veja-se o caso do Santana Lopes, que tinha planos de aumentar impostos ao sector financeiro. Queria ir aos 12%, faseados, passando de 3 a 6 a 9. Quando chegou aos 6%, puseram-no a andar daqui para fora, antes que causasse mais &#8220;danos&#8221;. Quatro anos mais tarde, a pretexto da &#8220;crise financeira mundial&#8221;, já se vão baixar os impostos ao sector financeiro de novo — conseguindo assim fazer &#8220;passar&#8221; um pacote de medidas de apoio. Mas a contrapartida foi libertar a banca uma vez mais do jugo dos impostos.</p>
<p>Conclusão: para se estabelecer uma política de mudança, é preciso imensa coragem política, e um desapego ao poder — mudar implica incomodar imensa gente, perder o apoio financeiro, e a seguir o apoio dos eleitores&#8230; como o Sócrates está a aprender <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
	</item>
</channel>
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