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	<title>Comentários em: Sustentabilidade, não ambientalismo!</title>
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	<link>http://arundel.wordpress.com/2008/01/07/sustentabilidade-nao-ambientalismo/</link>
	<description>Divagações insanas sobre Internet, política, cultura e religião, de quem devia ter mais juízo</description>
	<lastBuildDate>Tue, 11 Aug 2009 11:20:45 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Por: Luís Sequeira</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/01/07/sustentabilidade-nao-ambientalismo/#comment-42</link>
		<dc:creator>Luís Sequeira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Feb 2008 21:06:39 +0000</pubDate>
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		<description>Ludi, é de facto uma premissa assumida claramente.

De um ponto de vista puramente evolutivo, quase todas as espécies novas que surgem no planeta, associadas a mudanças ambientais aleatórias ou não, podem causar extinção noutras espécies. Se o homo sapiens causou, directa ou indirectamente, mais extinção que qualquer outra espécie ou acontecimento causal, é uma questão filosófica — dado que existiram extinções em massa no passado e vão decerto haver no futuro em que já não haja homo sapiens.

No entanto, a partir do momento em que acrescentamos uma nova premissa — &quot;somos uma espécie inteligente&quot; — a questão da extinção causada pelo homem passa a ser &lt;i&gt;moral&lt;/i&gt;. E aqui podemos começar a especular sobre se é nosso dever, enquanto espécie inteligente, reverter ou anular a extinção causada directa ou indirectamente pelas nossas acções.

Não vou colocar essa questão &lt;i&gt;moral&lt;/i&gt; pois depende de um conjunto de valores, de filosofia, de religião, etc. Dependendo de cada um de nós, da sociedade em que vivemos, da filosofia ou religião que praticamos, a resposta a essa questão pode ser muito diferente.

Depois essa premissa passa igualmente a definir uma escala de valores que é muito complicada de definir de forma universalmente satisfatória do ponto de vista moral. Matar ursos polares é moralmente condenável porque são fofinhos e peludos, e porque estão à beira da extinção; mas exterminar o insecto transmissor da malária é aceitável, pois só nos causa problemas. Em que medida é que temos o direito moral de classificar o urso polar como &quot;espécie protegida&quot; mas o insecto da malária como &quot;espécie a exterminar&quot;?

A resposta, claro está, é que acabaremos por classificar todas as espécies animais em três tipos: úteis para nós, inúteis ou perigosos, e indiferentes (mas digno de serem respeitados por justamente não nos afectarem). Os ursos polares, os koalas, e milhões de outras espécies são &quot;indiferentes&quot; — a sua existência ou não não nos afecta directamente. Logo, devem ser &quot;espécies protegidas&quot;. Mas... só se forem fofinhos e peludos...?

Por outro lado, a maioria (não todos) dos animais &quot;úteis&quot; foram adaptações (por selecção artificial) que tornaram algumas espécies como fornecedoras da base da nossa alimentação. Mas... com que direito podemos nós pegar numa espécie qualquer e modificá-la a nosso gosto para que nos seja útil? Praticamente exterminámos os lobos em grande parte da Europa, mas é moralmente aceitável que os tenhamos convertidos em cães? (O mesmo se aplica aos gatos, claro) É moralmente aceitável termos seleccionado artificialmente uma espécie que se tornou burra e totalmente dependente do homem para sobreviver, unicamente para nosso conforto, como aconteceu com as ovelhas?

A maior parte das pessoas dirá que &quot;sim&quot;, embora sem explicar então porque é que continuamos com o &quot;direito&quot; a exterminar insectos e outro tipo de &quot;pragas&quot;. Então não têm o mesmo &quot;direito moral&quot; a existirem que as ovelhas, vacas e cães?

Um grande número de pessoas — basta pensar nos budistas, por exemplo — condena toda a forma de consumo de carne animal, justamente porque considera &quot;moralmente inaceitável&quot; a caça ou a selecção artificial de animais para consumo da sua carne. No entanto, não têm qualquer preconceito contra o extermínio e massacre de espécies vegetais (tão vivas como as animais). O argumento é que as plantas não &quot;sentem&quot; nem &quot;sofrem&quot; se as matarmos, comermos, ou manipularmos geneticamente. Mas será mesmo assim? Como podemos ter tanta certeza disso? Se a vida é &quot;sagrada&quot;, porque deveremos discriminar as plantas e dizer que estas não têm direito à vida (assim como todas as criaturas feias, nojentas, asquerosas, ou perigosas...)?

E as restantes criaturas? Bactérias, fungos, algas... não são seres vivos também? Julgo que a abordagem filosófica irá então no sentido de saber se estes seres vivos todos sofrem ou não quando são mortos. E isso é complicado, pois não lhes podemos &lt;i&gt;perguntar&lt;/i&gt;. Nos mamíferos é muito mais simples ver quando estão a sofrer.

Adiante. O Bjørn Lomborg na realidade é muito mais esperto que eu, e não parte de nenhuma premissa &quot;moral&quot;. Tudo o que ele diz é que se queremos salvar os ursos polares, basta proibir a sua caça — e controlar essa proibição de forma a que seja &lt;i&gt;eficaz&lt;/i&gt;. Ele não se preocupa com a &lt;i&gt;moralidade&lt;/i&gt;, mas apenas com os mecanismos económicos que permitam implementar uma determinada &lt;i&gt;política&lt;/i&gt; da forma mais &lt;i&gt;eficiente&lt;/i&gt;. No caso da &quot;salvação dos ursos polares&quot;, o mecanismo economicamente mais eficiente é &lt;i&gt;proibir a caça&lt;/i&gt;. Alegar que essa medida &quot;não é a que nos interessa realmente&quot; é o argumento dos anti-Lomborgianos; atacam o bom professor por ele estar a apresentar soluções com impacto imediato a um custo mínimo (e não outras). Mas Lomborg é um cientista; a área dele é a estatística aplicada aos processos de decisão políticos; e, nessa qualidade, ele apenas apresenta as soluções que fazem sentido &lt;i&gt;economicamente&lt;/i&gt; e deixa a &quot;moralidade&quot; de lado — embora, é certo, ele dê um ênfase à salvação de vidas humanas em primeiro lugar. E isso significa, para ele, coisas como exterminar a malária (independentemente do potencial &quot;sofrimento&quot; dos mosquitos...). Significa também que se tivermos um orçamento limitado (e os orçamentos são &lt;i&gt;sempre&lt;/i&gt; limitados), temos de &lt;i&gt;prioritizar&lt;/i&gt; os gastos públicos, e que é apenas bom senso começar pelas medidas mais baratas com maior impacto. Assim, exterminar a malária, vacinar África contra a SIDA, introduzir métodos de cultivo e sementeiras mais eficientes, são maiores prioridades (por serem baratas e terem um impacto na salvação de vidas humanas muito maior) do que a terraformação do planeta para permitir 0.06 ursos polares de sobreviverem anualmente em 2100 — quando proibir a sua caça eliminaria imediatamente o problema numa questão de meses e não décadas.

Quanto à &quot;correlação directa&quot; é de facto um pleonasmo; obrigado pela correcção do português :) Já vou mudar isso.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ludi, é de facto uma premissa assumida claramente.</p>
<p>De um ponto de vista puramente evolutivo, quase todas as espécies novas que surgem no planeta, associadas a mudanças ambientais aleatórias ou não, podem causar extinção noutras espécies. Se o homo sapiens causou, directa ou indirectamente, mais extinção que qualquer outra espécie ou acontecimento causal, é uma questão filosófica — dado que existiram extinções em massa no passado e vão decerto haver no futuro em que já não haja homo sapiens.</p>
<p>No entanto, a partir do momento em que acrescentamos uma nova premissa — &#8220;somos uma espécie inteligente&#8221; — a questão da extinção causada pelo homem passa a ser <i>moral</i>. E aqui podemos começar a especular sobre se é nosso dever, enquanto espécie inteligente, reverter ou anular a extinção causada directa ou indirectamente pelas nossas acções.</p>
<p>Não vou colocar essa questão <i>moral</i> pois depende de um conjunto de valores, de filosofia, de religião, etc. Dependendo de cada um de nós, da sociedade em que vivemos, da filosofia ou religião que praticamos, a resposta a essa questão pode ser muito diferente.</p>
<p>Depois essa premissa passa igualmente a definir uma escala de valores que é muito complicada de definir de forma universalmente satisfatória do ponto de vista moral. Matar ursos polares é moralmente condenável porque são fofinhos e peludos, e porque estão à beira da extinção; mas exterminar o insecto transmissor da malária é aceitável, pois só nos causa problemas. Em que medida é que temos o direito moral de classificar o urso polar como &#8220;espécie protegida&#8221; mas o insecto da malária como &#8220;espécie a exterminar&#8221;?</p>
<p>A resposta, claro está, é que acabaremos por classificar todas as espécies animais em três tipos: úteis para nós, inúteis ou perigosos, e indiferentes (mas digno de serem respeitados por justamente não nos afectarem). Os ursos polares, os koalas, e milhões de outras espécies são &#8220;indiferentes&#8221; — a sua existência ou não não nos afecta directamente. Logo, devem ser &#8220;espécies protegidas&#8221;. Mas&#8230; só se forem fofinhos e peludos&#8230;?</p>
<p>Por outro lado, a maioria (não todos) dos animais &#8220;úteis&#8221; foram adaptações (por selecção artificial) que tornaram algumas espécies como fornecedoras da base da nossa alimentação. Mas&#8230; com que direito podemos nós pegar numa espécie qualquer e modificá-la a nosso gosto para que nos seja útil? Praticamente exterminámos os lobos em grande parte da Europa, mas é moralmente aceitável que os tenhamos convertidos em cães? (O mesmo se aplica aos gatos, claro) É moralmente aceitável termos seleccionado artificialmente uma espécie que se tornou burra e totalmente dependente do homem para sobreviver, unicamente para nosso conforto, como aconteceu com as ovelhas?</p>
<p>A maior parte das pessoas dirá que &#8220;sim&#8221;, embora sem explicar então porque é que continuamos com o &#8220;direito&#8221; a exterminar insectos e outro tipo de &#8220;pragas&#8221;. Então não têm o mesmo &#8220;direito moral&#8221; a existirem que as ovelhas, vacas e cães?</p>
<p>Um grande número de pessoas — basta pensar nos budistas, por exemplo — condena toda a forma de consumo de carne animal, justamente porque considera &#8220;moralmente inaceitável&#8221; a caça ou a selecção artificial de animais para consumo da sua carne. No entanto, não têm qualquer preconceito contra o extermínio e massacre de espécies vegetais (tão vivas como as animais). O argumento é que as plantas não &#8220;sentem&#8221; nem &#8220;sofrem&#8221; se as matarmos, comermos, ou manipularmos geneticamente. Mas será mesmo assim? Como podemos ter tanta certeza disso? Se a vida é &#8220;sagrada&#8221;, porque deveremos discriminar as plantas e dizer que estas não têm direito à vida (assim como todas as criaturas feias, nojentas, asquerosas, ou perigosas&#8230;)?</p>
<p>E as restantes criaturas? Bactérias, fungos, algas&#8230; não são seres vivos também? Julgo que a abordagem filosófica irá então no sentido de saber se estes seres vivos todos sofrem ou não quando são mortos. E isso é complicado, pois não lhes podemos <i>perguntar</i>. Nos mamíferos é muito mais simples ver quando estão a sofrer.</p>
<p>Adiante. O Bjørn Lomborg na realidade é muito mais esperto que eu, e não parte de nenhuma premissa &#8220;moral&#8221;. Tudo o que ele diz é que se queremos salvar os ursos polares, basta proibir a sua caça — e controlar essa proibição de forma a que seja <i>eficaz</i>. Ele não se preocupa com a <i>moralidade</i>, mas apenas com os mecanismos económicos que permitam implementar uma determinada <i>política</i> da forma mais <i>eficiente</i>. No caso da &#8220;salvação dos ursos polares&#8221;, o mecanismo economicamente mais eficiente é <i>proibir a caça</i>. Alegar que essa medida &#8220;não é a que nos interessa realmente&#8221; é o argumento dos anti-Lomborgianos; atacam o bom professor por ele estar a apresentar soluções com impacto imediato a um custo mínimo (e não outras). Mas Lomborg é um cientista; a área dele é a estatística aplicada aos processos de decisão políticos; e, nessa qualidade, ele apenas apresenta as soluções que fazem sentido <i>economicamente</i> e deixa a &#8220;moralidade&#8221; de lado — embora, é certo, ele dê um ênfase à salvação de vidas humanas em primeiro lugar. E isso significa, para ele, coisas como exterminar a malária (independentemente do potencial &#8220;sofrimento&#8221; dos mosquitos&#8230;). Significa também que se tivermos um orçamento limitado (e os orçamentos são <i>sempre</i> limitados), temos de <i>prioritizar</i> os gastos públicos, e que é apenas bom senso começar pelas medidas mais baratas com maior impacto. Assim, exterminar a malária, vacinar África contra a SIDA, introduzir métodos de cultivo e sementeiras mais eficientes, são maiores prioridades (por serem baratas e terem um impacto na salvação de vidas humanas muito maior) do que a terraformação do planeta para permitir 0.06 ursos polares de sobreviverem anualmente em 2100 — quando proibir a sua caça eliminaria imediatamente o problema numa questão de meses e não décadas.</p>
<p>Quanto à &#8220;correlação directa&#8221; é de facto um pleonasmo; obrigado pela correcção do português <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  Já vou mudar isso.</p>
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	<item>
		<title>Por: ludwigk</title>
		<link>http://arundel.wordpress.com/2008/01/07/sustentabilidade-nao-ambientalismo/#comment-41</link>
		<dc:creator>ludwigk</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Feb 2008 06:26:19 +0000</pubDate>
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		<description>Oi,

Acho que há aqui uma questão de valor que é fundamental e da qual dizcordo:

&lt;i&gt;«O apelo dele é às vidas humanas, não a questões “abstractas” sobre se vão morrer mais ursos polares ou se o nível dos oceanos vai subir»&lt;/i&gt;

Tu e ele assumem que a única coisa de valor é a vida humana ou o que a ela se relacione. Assim temos que matar baleisas com moderação porque se não o fizermos ficamos sem baleias para matar e isso é chato.

Eu estou mais do outro lado. Acho que a perspectiva de animais capazes de sentir deve ser considerada sejam da espécie H. sapiens sejam de outra qualquer. O problema fundamental dessa sustentabilidade é análogo ao problema de escravizar um povo de forma sustentável, por exemplo.

Ou seja, questiono a tua premissa implicita que só os seres humanos é que contam.

Outra coisita:

&lt;i&gt;«Lomborg demonstre que não há correlações directas entre o aumento de CO2 na atmosfera e o aumento de temperatura, embora haja obviamente uma ligação entre as duas»&lt;/i&gt;

O que é que distingue uma correlação &quot;directa&quot; de uma (presumo) indirecta? Parece-me que correlação é correlação. Ou estás a referir-te a uma relação causal? Nesse caso podes explicar como é que ele demonstrou não haver relação causal?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi,</p>
<p>Acho que há aqui uma questão de valor que é fundamental e da qual dizcordo:</p>
<p><i>«O apelo dele é às vidas humanas, não a questões “abstractas” sobre se vão morrer mais ursos polares ou se o nível dos oceanos vai subir»</i></p>
<p>Tu e ele assumem que a única coisa de valor é a vida humana ou o que a ela se relacione. Assim temos que matar baleisas com moderação porque se não o fizermos ficamos sem baleias para matar e isso é chato.</p>
<p>Eu estou mais do outro lado. Acho que a perspectiva de animais capazes de sentir deve ser considerada sejam da espécie H. sapiens sejam de outra qualquer. O problema fundamental dessa sustentabilidade é análogo ao problema de escravizar um povo de forma sustentável, por exemplo.</p>
<p>Ou seja, questiono a tua premissa implicita que só os seres humanos é que contam.</p>
<p>Outra coisita:</p>
<p><i>«Lomborg demonstre que não há correlações directas entre o aumento de CO2 na atmosfera e o aumento de temperatura, embora haja obviamente uma ligação entre as duas»</i></p>
<p>O que é que distingue uma correlação &#8220;directa&#8221; de uma (presumo) indirecta? Parece-me que correlação é correlação. Ou estás a referir-te a uma relação causal? Nesse caso podes explicar como é que ele demonstrou não haver relação causal?</p>
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