O distante reino do Butão, encaixado nos Himalaias entre o Tibete e a Índia, é considerado um dos países mais pobres do mundo (120º em listas com 170-190 países, dependendo de como se faz as contas). Estranhamente, é uma democracia (dentro de uma monarquia constitucional), muito recente (as primeiras eleições livres foram em 2008, dez anos após o anterior rei ter investido o poder administrativo num primeiro-ministro), e com uma particularidade curiosa, que, julgo eu, é única no mundo: em vez das medidas votadas na assembleia geral terem impacto no Produto Interno Bruto (como é vulgar em todo o mundo), o critério do impacto é um outro índice, conhecido como Felicidade Interna Bruta.
Isto pode parecer idiota, ou pelo menos utópico, mas é preciso compreender que o Butão é um país budista. Do ponto de vista dos seus governantes, a única função que estes devem ter é contribuir para a felicidade dos seus cidadãos. Conceitos como ordem, justiça, e até mesmo economia, são secundários — ou melhor, derivam apenas do conceito primário, que é medir o impacto da ordem, justiça, ou economia nos cidadãos. Se não houver ordem, os cidadãos são infelizes. Se os tribunais não funcionarem, os cidadãos são infelizes. Se forem pobres, doentes, ignorantes, e não tiverem emprego, serão infelizes. Então qualquer medida que procure aumentar a felicidade dos cidadãos passa por estabelecer a ordem, garantir o acesso à justiça, à saúde, à educação, à cultura, ao trabalho… e assim por diante.
No fundo o que acaba por acontecer é precisamente o mesmo que acontece em sociedades democráticas noutras partes do mundo, onde os governos asseguram estes princípios básicos, e os definem constitutionalmente como um “dever” do Estado. Mas a diferença no Butão é que estes princípios todos estão ligados a uma causa primária fundamental: a motivação. Neste caso, a motivação de tornar os cidadãos mais felizes.




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